Policial diz que poderia ter evitado entrada de Jean Charles no metrô

Um dos policiais britânicos envolvidos no caso Jean Charles de Menezes disse nesta segunda-feira que uma série de erros levou à morte do brasileiro. Em depoimento ao inquérito sobre a morte do eletricista, o policial - identificado apenas como C12 - disse que poderia ter evitado que Jean Charles entrasse na estação de metrô de Stockwell, onde o brasileiro foi morto.

BBC Brasil |

O policial disse que estava esperando do lado de fora da estação e poderia ter impedido a entrada de Jean Charles.

Ele admitiu não ter dito aos comandantes da operação que estava próximo quando Jean Charles desceu do ônibus para entrar na estação de metrô, mas afirmou que não ouviu informações incorretas passadas pelo rádio da polícia dizendo que não havia policiais armados perto de Stockwell que poderiam chegar ao local a tempo.

Jean Charles foi morto no dia 22 de julho de 2005, após ser confundido pela polícia com um suposto homem-bomba.

Os policiais, que estavam em busca de Hussain Osman, seguiram Jean Charles de sua casa em Tulse Hill, no sul de Londres, até a estação de Stockwell.

Erros
"Você ouviu qualquer comunicação dos policias, pelo rádio, dizendo: 'Não podemos (impedi-lo de entrar), não estamos lá (na estação)?", perguntou ao policial o advogado Michael Mansfield, que representa a família de Jean Charles.

"Não", respondeu C12.

"Porque a verdade é que você estava lá e poderia ter feito isso, não?", prosseguiu Mansfield.

"Sim", respondeu o policial.

Mansfield perguntou por que a operação deu errado naquele dia, e C12 respondeu: "Desde a informação que eu recebi nas orientações até a identificação positiva dada pela equipe de vigilância, pelas ações de De Menezes."
"Tanto quando nós chegamos ao metrô como quando eu o desafiei, tudo o que eu pensava, indelizmente, estava errado", acrescentou.

O policial disse não saber dizer porque não informou aos seus comandantes que estava no local.

"A única explicação que ofereço é que as coisas aconteceram muito rapidamente", afirmou. "Eu estava tentando ouvir o rádio, tinha que prestar atenção em várias coisas e, se isso é um erro, então, peço desculpas."
Risco
O policial negou acusações de que teria inventado partes de seu depoimento para explicar porque acreditava que Jean Charles era um terrorista.

"Há qualquer possibilidade de que você tenha tido, digamos, que construir uma imagem desse homem?", perguntou Mansfield ao policial.

"Tenho tentado ser brutalmente honesto sobre tudo", respondeu C12. "Tenho que justificar o que fiz. Justificar o que fiz não significa que eu vou violar a lei."
Na última sexta-feira, C12 disse que acreditava estar diante de um risco imensurável no dia em que Jean Charles foi morto, já que estava "convencido" de que o brasileiro era o suspeito.

O inquérito, que procura apurar como e por que Jean Charles de Menezes foi morto, prossegue em Londres.

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