Policiais são condenados às vésperas de sair decisão sobre Suu Kyi

Bangcoc, 10 ago (EFE).- A líder do movimento democrata birmanês, Aung San Suu Kyi, saberá amanhã a decisão do tribunal que a julga por violar a prisão domiciliar, um caso que acarretou penas de prisão para os policiais que a vigiavam, disseram hoje fontes oficiais.

EFE |

O chefe da Polícia, general Hin Yee, disse à imprensa que os 20 agentes e o oficial a comando do destacamento de 61 efetivos que tinha a missão de vigiar a casa de Suu Kyi, em Yangun, foram condenados na semana passada a penas de entre seis meses e três anos de prisão, por descumprir sua tarefa.

Uma aparente falha nas medidas de segurança permitiu que, em maio, o americano John Yettaw atravessasse nadando o lago que fica na parte de trás da casa da líder opositora e entrasse no imóvel onde ela cumpria, há quase seis anos, a ordem de prisão domiciliar imposta pela Junta Militar por ativismo político.

Durante o julgamento realizado na prisão de segurança máxima de Insein, e que terminou em 24 de julho, a equipe de advogados de Suu Kyi manteve o argumento de que os responsáveis por que o estrangeiro conseguisse burlar a vigilância foram os policiais que estavam no perímetro da casa.

As penas de prisão aos agentes foram anunciadas um dia antes de o tribunal emitir o veredicto do julgamento de Suu Kyi, acusada de quebrar os termos da prisão domiciliar, ao abrigar Yettaw por duas noites em sua casa. O americano também é julgado por infringir as normas de segurança cidadã.

Caso os juízes a declarem culpada, a líder da Liga Nacional pela Democracia (LND), única formação legal da oposição que resiste à intensa pressão do regime militar, pode ser condenada a uma pena de até cinco anos de reclusão.

O veredicto, que a princípio seria emitido em 31 de julho, foi adiado para 11 de agosto pelo tribunal especial, com base em que era necessário mais tempo para estudar os argumentos legais relacionados à Constituição de 1974, substituída no ano passado por outra aprovada através de um plebiscito.

Após quase três meses de um julgamento dominado pelo hermetismo próprio do regime militar, os advogados de Suu Kyi e diplomatas não descartam que o tribunal decida adiar novamente o anúncio do veredicto, se o americano continuar internado em um hospital.

Nyan Win, porta-voz da LND e um dos três advogados da líder opositora, disse que, no geral, os tribunais do país adiam as decisões judiciais quando algum dos acusados falta à audiência.

Yettaw, veterano da Guerra do Vietnã de 54 anos e que sofre de diabetes, foi internado no início de agosto, porque teria voltado a sofrer os ataques epilépticos que apresenta há muitos anos.

Fontes da LND disseram que, para a Junta Militar, a maior preocupação é de o veredicto gerar protestos nas ruas, e que, por esse motivo, há mais de uma semana, a imprensa local adverte que haverá represálias contra os birmaneses que fizeram manifestações públicas.

Pelo menos 30 ativistas do partido de Suu Kyi foram detidos em Yangun, a antiga capital do país, na véspera do anúncio da decisão judicial, prevista, a princípio, para 31 de julho, denunciou a LND.

"A tática do Governo consiste em fixar a data na qual será anunciada a decisão, deter antes potenciais manifestantes e depois adiar o veredicto, para que as forças de segurança tenham mais tempo de completar as operações", disse Benjamin Zawacki, pesquisador da Anistia Internacional, com base em Bangcoc, a capital tailandesa.

Os analistas acham que a agenda da Junta Militar é divulgar o veredicto do julgamento contra Suu Kyi após adiar o máximo possível o anúncio da condenação, e, em seguida, prolongar o processo mediante recursos ao Tribunal de Apelações, para impedir que a líder opositora possa participar das eleições previstas para 2010.

Desde que voltou a Mianmar (antiga Birmânia) em 1988 para ficar à frente da LND, Suu Kyi passou cerca de 14 anos em cativeiro.

A LND, com Suu Kyi à frente, venceu por grande maioria, as eleições legislativas realizadas em 1990, e cujos resultados nunca foram reconhecidos pelos militares que governam Mianmar, ininterruptamente, desde 1962. EFE tai/an

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