Policiais prestarão depoimento em investigação sobre morte de Jean Charles

Londres, 21 set (EFE).- Cerca de uma centena de pessoas, entre elas 65 policiais, foram ligações ao emprestar declaração na investigação pública em torno da morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, que começa amanhã em Londres.

EFE |

O imigrante brasileiro, de 27 anos, morreu em 22 de julho de 2005 em um vagão do metrô de Londres com sete tiros disparados à queima-roupa por 2 policiais que o perseguiram acreditando que se tratava de um terrorista suicida.

Entre os chamados a declarar estão esses dois agentes, identificados apenas como Charlie 2 e Charlie 12, que foram suspensos do serviço nas ruas durante um ano após aquele fato.

Segundo a imprensa britânica, reintegrado ao serviço, um desses 2 agentes matou outro homem durante uma tentativa de assalto a uma caminhonete blindada no condado de Kent em novembro de 2006.

Será a primeira vez que vão prestar depoimento em público, embora com sua identidade protegida, os dois policiais, que mataram o brasileiro um dia depois que 4 terroristas suicidas fracassarem em sua tentativa de fazer um atentado na capital do Reino Unido.

Uma testemunha-chave será Cressida Dick, responsável direta pela operação e à qual em um julgamento anterior no tribunal de Old Bailey, o júri a absolveu de toda culpa pessoal pela morte do brasileiro.

Dick, que foi enquanto isso promovida à categoria de subcomissária adjunta da Scotland Yard, terá que responder à pergunta de por que na sala de controle da operação decidiu que Menezes era Hussein Osman, um dos quatro fracassados terroristas suicidas do dia anterior.

Também prestará declaração John McDowall, que presidiu uma reunião naquela manhã na Scotland Yard e decidiu que Cressida Dick seria quem daria a ordem de atirar para matar se a situação exigisse.

McDowall, que foi promovido enquanto isso a subcomissário adjunto e é responsável pelo comando antiterrorista, prestará declaração por videoconferência.

Também dará testemunho Brian Paddick, ex-subcomissário adjunto, que deixou o corpo após discordar da versão do ocorrido apresentada pelo comissário-chefe da Scotland Yard, Ian Blair.

Os advogados que representam a Polícia Metropolitana tentaram por todos os meios evitar que Paddick seja chamado a declarar, segundo informaram vários meios de imprensa britânicos.

No centro da investigação está a chamada operação Kratos, que permite à Polícia "atirar para matar" e cuja legalidade Paddock colocou em xeque.

Essas táticas foram desenvolvidas por funcionários da Scotland Yard que estudaram como as autoridades de Israel e Sri Lanka combatiam os terroristas suicidas.

Segundo a imprensa britânica, os agentes destinados a esse tipo de operações são instruídos para que disparem na cabeça do terrorista antes que este possa detonar a bomba que leva. EFE jr/ma

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