Londres, 21 jan (EFE).- A Associação de Policiais Muçulmanos do Reino Unido contestou publicamente a estratégia antiterrorista do Governo britânico e advertiu que os planos podem ser contraproducentes e gerar distúrbios étnicos.

Segundo um memorando da associação citado hoje pelo jornal "The Daily Telegraph", o Governo se equivocou ao responsabilizar o Islã pelos recentes ataques terroristas porque os extremistas de extrema-direita representam uma ameaça maior para a segurança do país.

Os representantes dos policiais islâmicos se dirigem nesse memorando ao Parlamento para se queixar que o Governo está "estigmatizando-os" nas ações antiterrorismo, o que apenas ajuda a fomentar o "ódio" entre comunidades.

A associação afirma que os policiais muçulmanos do Reino Unido poderiam se tornar reticentes às campanhas do Governo para ganhar a simpatia dos cidadãos em seus esforços antiterroristas.

Essa organização de policiais muçulmanos, que representa mais de 2 mil agentes da religião islâmica, até agora sempre tinha apoiado o primeiro-ministro do país, Gordon Brown, que a considera, por sua vez, fundamental para superar a distância existente entre a Polícia e os muçulmanos deste país.

Segundo o "The Daily Telegraph", parece ser a primeira vez que a associação de policiais muçulmanos, fundada em 2007, critica a política governamental.

A associação critica a estratégia do Governo, denominada "Prevent" (Prevenir), por "estigmatizar a maior comunidade negra e étnica e a segunda religiosa" do país, depois da cristã.

"É frustrante ver isto em um país que é exemplo da liberdade de expressão", afirma a associação em seu memorando, e acrescenta: "O sistema britânico é um exemplo para o mundo, mas estamos em uma situação que representa uma ameaça direta a esses valores britânicos".

Diferentes grupos muçulmanos criticaram a estratégia do Governo, que almeja impedir a radicalização dos jovens islâmicos por meio do patrocínio oficial de grupos moderados nas comunidades muçulmanas.

Segundo a Associação de Policiais Muçulmanos, essa estratégia gerou, pelo contrário, "um ódio entre os muçulmanos", que chegou a "níveis que desafiam toda lógica e constituem uma afronta aos valores britânicos". EFE jr/sa

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.