Policiais e manifestantes entram em choque durante greve na Nigéria

Ao menos três foram mortos pela polícia; país paralisa atividades devido ao fim do subsídio do governo a combustíveis

iG São Paulo |

Uma greve nacional paralisou boa parte da Nigéria nesta segunda-feira, com mais de 10 mil manifestantes lotando a capital econômica do país para protestar contra o aumento do preço dos combustíveis e décadas de corrupção no governo.

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AP
Manifestantes protestam pela retirada do subsídio governamental dos combústiveis em Lagos, Nigéria

Ao menos uma pessoa foi morta durante o levante em Lagos. De acordo com uma fonte ouvida pela EFE, o incidente ocorreu quando os agentes abriram fogo em uma rua onde os jovens jogavam futebol. Os feridos foram levados para um hospital próximo.

No norte da cidade de Kano, outros dois morreram e outras ficaram feridas quando os agentes de segurança usaram bombas de gás lacrimogêneo e atiraram contra os manifestantes. De acordo com a agência EFE, um dos mortos era um adolescente de 15 anos.

Os manifestantes de Lagos pegaram gasolina de motocicletas e queimaram pneus. Outros, carregavam cartazes com a foto do presidente Goodluck Jonathan com chifres de demônio colocando gasolina em um posto. "Nossos líderes não estão preocupados com os nigerianos. Eles estão preocupados com eles mesmos", disse o manifestante Joseph Adekolu, 42 anos.

"A greve está sendo muito bem-sucedida. Não houve voos. Lagos está completamente parada", disse o presidente do Congresso de Sindicatos (TUC), Peter Esele.

Policiais carregando rifles e máscaras de gás estavam presentes em grande número em Lagos, enquanto os manifestantes marcharam no primeiro dia de uma greve indefenida organziada por uniões trabalhistas. Outros manifestantes tomaram conta das ruas da capital do país, Abuja.

No entanto, ao menos uma pessoa morreu após uma briga no bairro de Ogba, segundo uma testemunha que falou em condição de anonimato, por temer represálias. Segundo a agência Associated Press, o policial acusado de atirar contra ele foi preso, informou o porta-voz da polícia de Lagos, Samuel Jinadu.

Na cidade de Kano, a segunda maior do país, Ashiru Sharif, um dos organizadores dos protestos, disse que dois jovens foram mortos a tiros por agentes da segurança que abriram fogo contra uma multidão de manifestantes. "Nós não estávamos atacando ninguém", disse Sharif, acrescentanto que outros manifestantes estariam feridos.

Enquanto isso, manifestantes exaltados quebraram parte da cerca da sede do governo do Estado, onde autoridades da segurança também atiraram contra as pessoas, ferindo cerca de sete outras.

Os preços da gasolina aumentaram de US$ 1,70 o galão (US$ 0,45 o litro) para ao menos US$ 3,50 o galão (US$ 0.94 o litro) desde que o governo parou de subsidiar os combustíveis, em 1º de janeiro. Isso provocou um aumento nos preços da comida e transporte em toda a nação com mais de 160 milhões de habitantes, cuja maioria vive com menos de US$ 2 por dia.

No domingo, deputados e parlamentares repreenderam a decisão do presidente, e as uniões trabalhistas afirmaram que continuariam sua greve. Bola Adejobi, 53 anos, disse que ela estava protestando mais do que apenas contra aumento nos preços de combustíveis. Para ela e muitos outros, a greve representa a insatisfação devido a outros problemas do país, como falta de eletricidade e água potável para a maioria dos moradores.

"É o momento de pegarmos a Nigéria com as nossas mãos", disse Bola. "Aconteceu no Egito. Aconteceu na Líbia", disse, em referência às revoltas que derrubaram do poder o presidente egípcio Hosni Mubarak e o líbio Muamar Kadafi.

O ministro das Finanças da Nigéria disse que o país tem usado empréstimos para manter o subsídio. "A Grécia está onde está agora porque, por anos, não fizeram a coisa certa. Eles continuaram pegando dinheiro emprestado para financiar o seu desenvolvimento", Ngozi Okonjo-Iweala disse ao canal de televisão local. "Nós não podemos continuar pegando dinheiro emprestado para financiar nosso desenvolvimento."

Duas uniões majoritárias disse que manterão a greve, apesar de uma ordem judicial. Uma situação similar ocorreu em 2003, quando grevistas atacaram, durante 8 dias, lojas que permaneceram abertas, tomaram conta do tráfego aéreo, e provocaram uma queda na produção de petróleo do país.

Com AP e EFE

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