Polícia usa gás tóxico nos arredores de embaixada, diz Zelaya; governo nega

TEGUCIGALPA - O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou nesta sexta-feira que um gás tóxico estaria sendo usado nos arredores da embaixada brasileira na capital do país, Tegucigalpa, onde ele está refugiado desde segunda-feira. Pedimos a intervenção imediata da Cruz Vermelha Internacional, declarou Zelaya, por telefone, à AFP. O governo de Honduras afirmou que a denúncia do líder deposto é falsa.

Redação com agências internacionais |


AFP
Simpatizante de Zelaya improvisa se protege de suposto gás tóxico
Simpatizante de Zelaya se
protege de suposto gás tóxico
"Um gás tóxico utilizado pelos militares para disperar as pessoas está sendo pulverizado. Há 60 pessoas aqui, e todas elas estão tentando respirar no pátio", disse Zelaya, afirmando que apesar de estar usando uma máscara ficou com a garganta ressecada. "Algumas pessoas estão vomitando, outras estão urinando sangue", alertou.

A mulher de Zelaya, Xiomara Castro, reforçou a denúncia.  "Eles estão lançando gases tóxicos. Estou aqui, sobre uma escada, vendo como estão protegidos, com máscaras", afirmou.

Segundo Castro, os gases provocaram "taquicardia, enjoo, náuseas, dor de cabeça e boca seca". "Muitos estão com o nariz sangrando", complementou.

Para ela, os militares têm agido como "criminosos". A primeira-dama ainda lamentou que nenhum oficial tenha sido punido desde o golpe de 28 de junho, que tirou seu marido do poder.

Acusação 'falsa'

Um porta-voz da polícia, no entanto, negou o ataque com bombas de gás lacrimogêneo e disse que a situação em frente à embaixada permanece na normalidade. Apesar disso, a movimentação das forças de segurança no local aumentou nas últimas horas.

Em um comunicado, o governo interino de Honduras, liderado por Roberto Micheletti, diz que "é totalmente falso que membros da Polícia Nacional tenham colocado uma equipe especial para disparar um líquido que provoque mal-estar às pessoas que estão no interior da embaixada do Brasil".

De acordo com a Agência Brasil, funcionários da embaixada brasileira que permanecem no local afirmaram que "há cheiro de gás e pessoas passando mal" e "expelindo sangue pelo nariz e pela urina" dentro do prédio.

ONU

Nesta sexta-feira, o Conselho de Segurança da ONU condenou o cerco à representação brasileira em Honduras e pediu o fim da ação. Além disso, a organização exigiu que o governo do país garanta "segurança dos indivíduos na embaixada".

A declaração atende a um pedido do chanceler brasileiro Celso Amorim. "A embaixa está virtualmente sitiada", afirmou ele aos 15 membros do Conselho de Segurança reunidos em sessão formal.

Segundo Amorim, a sede diplomática é alvo de "atos de acossamento", incluindo cortes de luz, equipamentos sonoros e obstáculos à livre circulação de seu pessoal.

O chanceler denunciou que essas ações constituem uma clara violação da Convenção de Viena e pediu ao Conselho de Segurança da ONU uma "condenação expressa" para evitar qualquer outro ato hostil.

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