Polícia turca prende pelo menos 40 por envolvimento em golpe

(eleva o número de detidos e acrescenta detalhes) Ancara, 7 jan (EFE).- A Polícia turca prendeu hoje pelo menos 40 pessoas - entre elas conhecidos professores universitários, generais reformados e um antigo chefe da Polícia - por seu suposto envolvimento na trama golpista Ergenekon para tirar do poder o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, islâmico moderado).

EFE |

A operação acontece de forma simultânea em seis cidades turcas, incluindo as três mais importantes - Istambul, Ancara e Esmirna -, e a Polícia realiza buscas neste momento nas casas dos suspeitos, informou a imprensa local.

Na casa de um dos detidos, o coronel Mustafa Donmez, a polícia apreendeu 22 granadas mais de 100 balas, um fuzil AK-47 e cinco pistolas.

No centro de Anatolia de Sivas, foram apreendidas três pistolas e detidas 11 pessoas.

Entre os detidos está Yalcin Kucuk, um conhecido professor e autor de livros de grande popularidade, os generais reformados Erdal Sener e Kemal Yavuz, assim como o ex-chefe da unidade de operações especiais da Polícia Ibrahim Sahin.

A casa de Sabih Kanadoglu, ex-fiscal chefe do Tribunal Supremo, está sendo minuciosamente vasculhada e a imprensa turcos dá como certa sua prisão.

Os agentes estão realizando buscas também na casa do general Tuncer Kilinc, antigo secretário-geral do Estado-Maior, e um dos principais nomes do mundo militar.

O julgamento do suposto plano golpista Ergenekon começou em outubro com um auto de processo de cerca de 2.500 páginas no qual aparecem 86 pessoas acusadas.

Este caso dividiu a sociedade turca, pois uma parte o considera um processo político contra a oposição, enquanto outros o chamam de avanço no processo de democratização da sociedade ao evidenciar os envolvimentos criminais de parte da antiga cúpula militar na "guerra suja".

Segundo a Promotoria, esta organização, formada por comandantes militares reformados, jornalistas, políticos e acadêmicos, pretendia semear o caos com atentados terroristas para provocar um ambiente favorável a um golpe de estado do Exército que derrubasse o Governo islâmico moderado de Recep Tayyip Erdogan.

Pouco após o início do julgamento em outubro, Ayhan Carkin, um policial aposentado, disse que poderia ter matado 1.000 pessoas em nome do Estado na "guerra suja", apontando em suas confissões à imprensa turca a trama Ergenekon de estar por trás destas ações. EFE dt/jp

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