Polícia teria reprimido novos protestos em Teerã

Forças de segurança iranianas teriam usado cassetetes e dado tiros para o alto para dispersar militantes da oposição que se manifestavam contra os resultados das eleições presidenciais nas ruas de Teerã, capital do Irã, nesta quarta-feira. Segundo testemunhas, os confrontos teriam ocorrido nas ruas em volta da praça Baharestan, nas proximidades do Parlamento do país.

BBC Brasil |

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Uma testemunha ouvida pela rede de televisão norte-americana CNN afirmou que houve violência na repressão aos protestos e que alguns manifestantes teriam ficado feridos.

"Eles (os policiais) estavam nos esperando. Estavam portando armas e vestindo uniformes. Parecia uma ratoeira. Eu vi muitas pessoas com pernas e braços quebrados, ferimentos na cabeça. Havia sangue e gás, como em uma guerra", afirmou uma testemunha citada pelo website da CNN.

Outra testemunha afirmou que alguns manifestantes foram perseguidos pelos policiais por cerca de 2 km e também teriam sido agredidos com cassetetes.

Ainda segundo a rede de TV CNN, uma testemunha afirmou ter visto pessoas ensaguentadas e sangue nas ruas.

Disputa
Informações oficiais dão conta de que pelo menos 17 pessoas morreram durante os 11 dias de protestos contra o resultado das eleições no país.

O líder da oposição, Mir Hossein Mousavi, que foi derrotado pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad no pleito, não aparece em público há alguns dias, mas uma declaração atribuída à sua mulher no website do candidato pede que as manifestações continuem.

Zahra Rahnavard também pede no website do marido pela libertação das pessoas que foram detidas pelas forças governamentais desde as eleições. Entre elas estariam 25 funcionários do jornal de Mousavi.

"É meu dever continuar os protestos legais para preservar os direitos dos iranianos", diz Rahnavard no site do marido.

Também nesta quarta-feira, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou que o país não cederá a pressões sobre o polêmico resultado das eleições.

Segundo Khamenei, os resultados não serão alterados, apesar dos protestos.

"O governo e a nação não cederão às pressões a nenhum custo", afirmou Khamenei, que já havia pedido o fim das manifestações.

Diplomacia
As autoridades iranianas têm acusado governos estrangeiros de estimularem os protestos no país.

O governo americano anunciou, nesta quarta-feira, estar retirando o convite feito a diplomatas iranianos para participarem das comemorações do dia independência dos EUA, em 4 de julho, em embaixadas americanas ao redor do mundo.

Os convites haviam sido feitos como parte das tentativas do governo Obama de melhorar as relações diplomáticas com o país, após trinta anos de poucos contatos.

De acordo com o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, no entanto, as autoridades iranianas nem haviam respondido aos convites.

A correspondente da BBC em Washington Kim Ghattas afirma que este é o primeiro passo concreto tomado pelo governo Obama em protesto à repressão contra as manifestações no Irã.

Segundo Ghattas, Obama tem sido pressionado por integrantes do Partido Republicano para se manifestar de maneira mais forte a respeito da crise no Irã.

O presidente americano, no entanto, tem sido cauteloso para que suas declarações não sejam vistas como uma interferência nos assuntos internos do país.

Também nesta quarta-feira, o governo do Irã afirmou estar pensando em reconsiderar as relações do país com a Grã-Bretanha, depois de ter expulsado do país, na terça-feira, dois diplomatas britânicos, acusando-os de "atividades incompatíveis com seu status".

Como resposta, a Grã-Bretanha também anunciou a expulsão de dois diplomatas iranianos do país na última terça-feira.

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