Polícia russa detém suposto assassino da jornalista Anna Politkovskaya

Morta a tiros em 2006, no prédio onde vivia em Moscou, jornalista de oposição era uma das vozes mais críticas contra a ocupação na Chechênia

iG São Paulo |

AP
Foto de 2004 mostra a repórter Anna Politkovskaya em manifestação em Moscou contra a guerra da Chechênia
A polícia russa deteve nesta terça-feira o susposto assassino da jornalista russa de oposição Anna Politkovskaya, morta a tiros em 2006, no prédio onde vivia em Moscou. Rustam Majmudov foi preso na Chechênia, segundo Saidajmet Arsamerzaiev, advogado do irmão do réu, que também é apontado como cúmplice no crime.

"Fui informado que Rustam Ruslanovitch, o mais velho dos irmãos Majmudov, foi detido na noite passada em Atshjoi-Martan (zona oeste de Grozny, capital da Chechênia) na casa de seus pais ", declarou o advogado de Ibraguim Majmudov.

Rustam Majmudov era procurado há anos pela morte da jornalista opositora. Os investigadores consideram que os irmãos de Rustam Majmudov, Ibraguim e Djabrail, são cúmplices do assassinato.

Apesar de terem sido absolvidos em 2009 por falta de provas, uma investigação foi reaberta e os três irmãos foram novamente processados pelo crime, cujo mandante nunca foi identificado.

Anna Politkovskaya era uma das poucas jornalistas russas que denunciavam as violações de direitos humanos na Chechênia e criticava abertamente os abusos do regime de Vladimir Putin, presidente em exercício na época, quando foi assassinada.

Putin foi presidente de 2000 a 2008 e atualmente exerce as funções de primeiro-ministro da Rússia. Seu governo é acusado por opositores de envolvimento no assassinato de Politkovskaya.

Reação

Sergei Sokolov, um dos editores do jornal Novaya Gazeta, onde Politkovskaya trabalhava, deu boas-vindas à notícia da prisão, dizendo que investigadores devem fazer seu trabalho para descobrir todos os envolvidos no crime.

Mas Anna Stavitskaya, uma advogada da família de Politkovskaya se mostrou cética em relação à prisão do suspeito na Chechênia. “Eles devem encontrar o mandante do crime”, disse Stavitskaya à Associated Press. “Eles falharam nisso porque nossas agências de investigação simplesmente não têm habilidade para fazer isso”.

O assassinato da jornalista, que tinha 48 anos quando foi morta, atraiu atenção de todo o mundo para censura e perseguição a jornalistas na Rússia, considerada um dos países mais perigosos do mundo para repórteres.

*Com AFP e AP

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