Forças de segurança usam gás lacrimogêneo para dispersar manifestação convocada em solidariedade às revoltas no mundo árabe

Policiais iranianos usaram bombas de gás lacrimogênio e balas de tinta para dispersar uma manifestação da oposição em Teerã nesta segunda-feira, convocada em solidariedade às revoltas populares do Egito e Tunísia. Segundo testemunhas, milhares de manifestantes participaram do protesto.

A manifestação, porém, logo transformou-se em um ato político contra o governo. Os enfrentamentos aconteceram na Praça Azadi, no centro da capital, onde opositores cantavam palavras de ordem como "Morte do Ditador!", em referência ao presidente Mahmud Ahmadinejad, em 2009.

Um produtor da emissora britânica BBC que estav ano local descreveu a situação como "caos completo". Ele afirmou que "vários confrontos" estavam acontecendo e que a polícia havia detido grande número de manifestantes.

As forças de segurança foram mobilizadas nas ruas de Teerã para impedir a manifestação. As autoridades rejeitaram um pedido dos líderes oposicionistas Mir Hossein Mousavi e Mehdi Karroubi para realizar o protesto, e alertaram os reformistas a não criar uma "crise de segurança" como a que ocorreu durante os protestos que se seguiram à polêmica eleição presidencial de 2009. Apesar da proibição, a oposição reiterou a convocação para o protesto.

"Há dezenas de policiais e forças de segurança na avenida Vali-ye Asr. Eles bloquearam as entradas das estações de metrô na área", disse uma testemunha por telefone. Outra fonte afirmou ter visto carros da polícia com as janelas cobertas por cortinas pretas, estacionados perto da temida prisão de Evin.

O site Kaleme, de Mousavi, disse que a polícia bloqueou a rua que dá acesso à sua casa, na zona sul de Teerã, e que o contato por telefone fixo e celular também foi interrompido. Outro site oposicionista informou que Zahra Rahnavard, mulher de Mousavi, foi proibida de sair de casa por policiais à paisana. Por meio de seu site oficial, Mousavi afirmou estar sob prisão domiciliar.

As rebeliões populares no Egito e na Tunísia tiveram grande repercussão no Irã. O líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, qualificou-as como um " despertar islâmico ", evocando uma comparação com a Revolução Islâmica de 1979 no Irã.

Mas a oposição diz que as revoltas têm mais semelhanças com os protestos realizados por liberais do Irã depois das eleições de junho de 2009, marcadas por suspeitas de fraude em favor do presidente conservador Mahmoud Ahmadinejad. A onda de protestos de 2009 foi reprimida com brutalidade pela Guarda Revolucionária.

Na sexta-feira, o país celebrou os 32 anos da Revolução Islâmica e a TV estatal mostrou repetidamente imagens de um ato público patrocinado pelo governo. Durante a noite, no entanto, era possível ouvir pela cidade gritos de "Allahu Akbar" (Deus é grande), tática recomendada pela oposição, imitando os revolucionários de 1979. Depois da repressão aos protestos de 2009, muitos iranianos relutam em participar de novas manifestações. Mesmo assim, a convocação da oposição ganhou impulso nas redes sociais, e mais de 56 mil confirmaram pelo Facebook sua intenção de aderir ao protesto.

Com EFE, AFP e BBC

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