Polícia repreende manifestação contra Ahmadinejad no Irã

Teerã, 18 set (EFE).- A Polícia antidistúrbios iraniana, apoiada pelos milicianos islâmicos Basij, reprimiu com força hoje uma manifestação da oposição ao regime do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

EFE |

Os oposicionistas aproveitaram a celebração do Dia de Apoio à Palestina para protestar contra o Governo, por causa das denúncias de fraudes nas eleições de junho.

Nesta sexta-feira, a última do mês sagrado muçulmano do Ramadã, pelo calendário iraniano celebra-se o "Dia de Al Quds" (Jerusalém), uma data em que anualmente ocorre uma manifestação em apoio aos palestinos e contra Israel.

Apesar das advertências do regime, os partidários do Movimento Verde, cor da oposição, ocuparam as ruas centrais de Teerã.

Com bandeiras e símbolos reformistas na cor verde, os manifestantes gritaram palavras de ordem contra o Governo enquanto faziam o símbolo da vitória.

Nos enfrentamentos, a Polícia e os Basij reprimiram os opositores, que responderam lançando pedras e garrafas.

Os partidários de Ahmadinejad cercaram vários dirigentes reformistas, como o antigo candidato presidencial Mehdi Karroubi e o ex-presidente Mohammad Khatami. Este último foi empurrado e chegou a perder o turbante. Foi preciso que seguidores o protegessem para evitar uma agressão, contaram várias testemunhas à Agência Efe.

Segundo a agência estatal iraniana "Irna", o veículo em que viajava o líder opositor Mir Hussein Musavi foi atingido por pedras e outros objetos contundentes jogados pelos partidários de Ahmadinejad.

Segundo testemunhas, várias pessoas ficaram feridas. Após os confrontos e a correria, sobraram pedras, garrafas e todo tipo de objetos espalhados pelo centro da capital.

A ação policial e dos Basij impediu que os manifestantes continuassem com o protesto em torno da Universidade de Teerã.

As ruas próximas e os acessos à instituição permaneceram vigiados pela Polícia, que colocou diversos controles para impedir a passagem dos manifestantes.

Só os Basij e os partidários de Ahmadinejad tinham acesso ao local.

Enquanto os incidentes ocorriam, Ahmadinejad discursava na Universidade de Teerã.

Como fez em outras oportunidades, o presidente iraniano voltou a colocar em dúvida a existência do Holocausto, que custou a vida de seis milhões de judeus, exterminados pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

"Se o Holocausto, como eles dizem, é verdade, por que não oferecem provas?", questionou.

Ahmadinejad afirmou que a comunidade internacional tem a obrigação de assumir suas responsabilidades frente a Israel para assegurar a paz global.

Ele ainda incentivou às nações do mundo, e em particular às da região, a levantarem-se contra Israel, porque somente o fato de Israel existir as coloca em perigo.

"O regime sionista é um símbolo de mentiras e decepção, de atitudes colonialistas", afirmou Ahmadinejad durante o discurso, segundo o canal de televisão "Press TV".

Os oposicionistas do Governo continuavam a protestar pelas ruas, aos gritos de "mentiroso, onde estão os 64%?", nas abarrotadas ruas do centro de Teerã, em alusão ao percentual de votos atribuído a Ahmadinejad, nas eleições de 12 de junho.

Eles também gritavam "Morte a Israel", "Morte ao ditador" e "Morte à Rússia", em referência ao apoio do Governo de Moscou a Ahmadinejad, durante um protesto em torno da Universidade de Teerã, onde o aiatolá Ahmad Khatami ia a pronunciar o sermão semanal.

Durante o percurso os reformistas e opositores do Governo de Ahmadinejad se encontraram com Mehdi Karroubi, que circulou o tempo todo rodeado de guarda-costas.

"Corajoso, nós te apoiamos", gritavam os mais exaltados que advertiam que a detenção de Karroubi geraria uma revolta no Irã. EFE msh/dm

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