Polícia prende mais de 50 pessoas em protestos em Nova York

Mais de 50 pessoas foram presas nesta quarta-feira, em Nova York, em manifestações pacíficas realizadas em diferentes pontos da cidade contra a absolvição, no mês passado, de três policiais que mataram um jovem negro desarmado, em 2006, anunciou a Corporação.

AFP |

"Não temos um número definitivo, mas há mais de 50 detidos", disse uma porta-voz do Departamento de Polícia de Nova York, acrescentando que, até o momento, não há informes sobre danos, ou violência.

"Sem justiça, não haverá paz", "todo este maldito sistema é culpado!", eram algumas das palavras de ordem nos cartazes e nos brados das centenas de pessoas reunidas em frente ao quartel de polícia que fica atrás da prefeitura de Nova York.

Os manifestantes expressaram sua raiva depois que, em 24 de abril, foram absolvidos os três policiais que crivaram de balas o jovem Sean Bell, de 23 anos, na saída de uma boate, no dia do seu casamento.

Robert Porter, de 44 anos, primo da vítima, disse à AFP que a intenção é organizar, a partir de agora, "manifestações diárias, faça sol, ou faça chuva".

"Queremos que se faça justiça. É simples assim", resumiu.

Os protestos se espalharam pelos bairros do Harlem, Midtown, Murray Hill, Baixo Manhattan e Brooklyn, e nas pontes de Queensboro, Triborough e Brooklyn, atrapalhando o trânsito em alguns casos, segundo os organizadores.

Entre os manifestantes, estava Frank Rodríguez, de 56 anos, morador do Brooklyn.

Em vez de um cartaz, ele levou para a frente do quartel policial uma maquete da cena do crime para tentar derrubar a versão dos agentes.

"Quero mostrar, com isso, a discrepância sobre como as coisas aconteceram", disse Rodríguez à AFP, iniciando uma complexa explicação.

O juiz Arthur Cooperman decidiu abandonar as diligências contra os três policiais que, em 26 de novembro de 2006, perseguiram de carro um veículo na saída de uma boate, disparando contra seus três ocupantes. Sean foi morto, e seus dois amigos ficaram feridos.

Os policiais justificaram o uso de suas armas, alegando que acreditaram que os ocupantes do veículo estivessem armados, o que não foi o caso.

Na sentença emitida no final de abril, o juiz estimou que os policiais não tinham responsabilidade criminal na morte de Sean Bell: "os testemunhos não foram suficientes para provar que os policiais se enganaram ao abrir fogo".

O depoimento dos três oficiais foi "mais crível do que o das vítimas", disse o juiz, no mesmo texto.

ltl/tt

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