Polícia prende 6º suspeito de terrorismo durante visita de papa

Prisão ocorreu enquanto Bento 16 fazia discurso no Westminster Hall, em que falou sobre marginalização do cristianismo

iG São Paulo |

A polícia britânica prendeu mais um suspeito de terrorismo nesta sexta-feira em Londres, durante a visita do papa Bento 16 à capital britânica. No total, foram presos seis suspeitos de ligação com uma possível ameaça contra o papa, e a segurança por conta da visita de quatro dias do pontífice foi revista.

Apesar de jornais e agências locais afirmarem que as prisões envolvem suspeitos de um possível complô contra Bento 16, autoridades da Scotland Yard se negam a confirmar se o suposto complô tem ligação direta com a visita. O esquema de segurança do papa, de acordo com a polícia, está “adequado” e continuará o mesmo, assim como o itinerário de Bento 16, previamente planejado.

Os homens presos – com 26, 27, 36, 40, 50 e 29 anos de idade - foram encaminhados para a sede da polícia em Londres para serem interrogados pelos detetives. 

AFP
Bento 16 e parlamentares britânicos no Westminster Hall, em Londres
Segundo a rede de TV CNN, o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, disse que o papa e a cúpula que o acompanha não estavam particularmente preocupados com as prisões e a suposta ameaça. “A polícia já disse que, de acordo com as informações que têm até agora, não é preciso fazer mudança alguma no programa do papa e na sua segurança”, disse Lombardi. “O papa está feliz com a viagem até agora, e podemos seguir com a mesma alegria que tivemos até agora”, acrescentou.

Mais cedo, cinco homens haviam sido presos em Londres sob suspeita de ligação com uma possível ameaça contra Bento 16.  De acordo com a polícia, que realizou buscas na capital britânica, os suspeitos foram detidos às 02h45 (horário de Brasília).

Discurso

Enquanto autoridades prendiam o sexto suspeito de terrorismo, Bento 16 discursava no Westminster Hall, para parlamentares britânicos. Em seu discurso, Bento 16 disse que a religião, em particular o cristianismo, “vem sendo marginalizada” em todo o mundo. Ele alertou ainda para o fato de que alguns quererem ver “a voz da religião ser silenciada”.

“Não posso deixar de expressar minha preocupação com a crescente marginalização da religião, particularmente o cristianismo, que vem ganhando espaço em algumas regiões, mesmo em nações que dão grande ênfase à tolerância”, disse.

No Westminster Hall ainda, Bento 16 pediu aos presentes que lutassem para promover a fé “em todos os níveis da vida pública”. Depois, o papa seguiu para uma visita ao Mosteiro de Westminster, para orações de fim de tarde.

Ainda nesta sexta-feira em Londres, ele se encontrou com cerca de 4 mil jovens da St. Mary's University College, no subúrbio londrino de Twickenham, em um evento chamado de Grande Assembleia. A Igreja Católica afirma que o evento é uma oportunidade para homenagear o trabalho de mais de 2 mil escolas católicas na Grã-Bretanha, que recebem apoio do Estado. Além disso, esteve com o arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, que comanda a Igreja Anglicana.

O encontro no palácio de Lambeth, em Londres, tem um simbolismo histórico. Até o rei Henrique 8º romper as relações com o Vaticano no século 16, o palácio abrigava arcebispos católicos. A visita do papa ao local é vista como um gesto de reconciliação entre católicos e anglicanos.

Polêmica

A visita do papa dividiu opiniões na oficialmente protestante e altamente secular Grã-Bretanha. Ele chegou na quinta-feira ao Reino Unido para a primeira visita de Estado de um líder da Igreja Católica. A primeira parada foi Edimburgo, na Escócia, onde se reuniu com a Rainha Elizabeth 2ª.

Após ser recebido por ela, ele rezou uma missa a céu aberto para 70 mil pessoas em Glasgow. Bento 16 deixou a Escócia e viajou para Londres na noite de quinta-feira. Ele foi recebido pelo prefeito Boris Johnson e seguiu para a Nunciatura Apostólica de Wimbledon, onde está hospedado.

*Com AP, BBC e EFE

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