Polícia paraguaia está atenta para ameaça de invasões rurais

ASSUNÇÃO (Reuters) - A polícia paraguaia informou na segunda-feira que está tomando precauções em relação à ameaça de grupos camponeses de iniciar uma onda de invasões em propriedades rurais depois da posse do novo presidente, na próxima sexta-feira (15). O próximo governo denunciou na semana passada que as ocupações, que se intensificaram depois da eleição do ex-bispo Fernando Lugo como presidente, fazem parte de um plano de desestabilização contra as novas autoridades e têm o objetivo de dificultar sua gestão.

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A ameaça envolve principalmente o Estado de San Pedro, uma das regiões mais pobres do país, a cerca de 350 quilômetros da capital, onde Lugo foi bispo por mais de uma década e tem bastante apoio político.

O chefe da polícia de San Pedro, Dionisio Gines, disse a jornalistas que cerca de 40 propriedades da região estão ameaçadas e que as futuras autoridades locais estão conversando com os supostos promotores das invasões para evitar conflitos.

'Há rumores, versões de que haverá invasões de forma massiva, mas o governador está lidando bem com a situação, ou seja, há negociações com eles', disse Gines a uma emissora de rádio local.

O diário ABC Color disse na segunda-feira que as organizações de camponeses 'sem terra' anunciaram que, a partir de 16 de agosto -- um dia depois de Lugo assumir a Presidência --, iniciarão a recuperação das terras que estão atualmente nas mãos de agricultores brasileiros e as distribuirão a paraguaios.

'Há grupos radicais que somente querem recorrer à violência', disse o comissário.

A eleição de Lugo acabou com mais de seis décadas de governo do Partido Colorado, conservador. Alguns dos integrantes da aliança de centro-esquerda liderada por Lugo acusam os governantes colorados de estar por trás do plano de desestabilização do campo.

Muitos integrantes de organizações campesianas que exigem terras para cultivar acabaram sem emprego devido ao avanço da agricultura mecanizada no país, exportador de matérias-primas.

A ameaça de conflito vem no momento em que policiais e promotores investigam o sequestro de um pecuarista em outra região do norte do país, ocorrido na semana passada.

(Por Mariel Cristaldo)

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