Polícia norte-irlandesa investiga atentado que matou 2 soldados britânicos

Belfast (R.Unido), 8 mar (EFE).

EFE |

- A Polícia da Irlanda do Norte (PSNI) implementou hoje um "amplíssimo" esquema de segurança para deter os pistoleiros que mataram, neste sábado, dois soldados britânicos e feriram outras quatro pessoas em uma base militar ao norte de Belfast.

Este foi o primeiro assassinato de membros das Forças Armadas do Reino Unido no local desde 1997, quando o soldado Stephen Restorick foi morto a tiros por um franco-atirador do Exército Republicano Irlandês (IRA), que ainda atuava na época.

Apesar de nenhum grupo ter assumido ainda a autoria do ataque, tudo indica que se trata de um ato terrorista de facções dissidentes do IRA que se opõem ao processo de paz e à estratégia democrática do braço político do grupo, o Sinn Féin.

Nos próximos dias, o chefe da Polícia irlandesa (Garda), Fachtna Murphy, e altos funcionários dos Governos britânico e irlandês se reunirão com o principal responsável da PSNI, Hugh Orde, para trocar informação e cooperar na investigação.

Na sexta-feira, Orde já tinha advertido de que o risco de ataques de paramilitares dissidentes estava em seu maior nível em sete anos, e, por isso, pediu a intervenção do serviço secreto (MI5) e das Forças Armadas britânicas para enfrentar a crescente ameaça dessas facções do IRA.

No entanto, segundo o superintendente da PSNI responsável pela investigação, Derek Williamson, o que surpreendeu foi a "dureza e o caráter impiedoso" do atentado, cujo objetivo, afirmou, era causar "um massacre".

Especialistas em segurança afirmam que as forças da ordem também não esperavam uma ação tão forte nesta base militar de Massereene, radicada no condado de Antrim e cerca de 25 quilômetros ao norte de Belfast.

Até o momento, a maioria das atividades dos dissidentes tinha se localizado em outras partes da província, principalmente no condado de Fermanagh, próximo à fronteira com a República da Irlanda.

Além dos dois soldados falecidos, outros dois militares e dois civis - entregadores de pizza - ficaram feridos no tiroteio.

Williamson informou que os pistoleiros começaram a atirar indiscriminadamente com armas automáticas a partir de um veículo - no qual fugiram - quando as portas da base se abriram para deixar os dois entregadores de pizza entrar, por volta de 18h40 (de Brasília) deste sábado.

"Os pistoleiros atiraram, a princípio, à vontade, mas se aproximaram depois das pessoas que estavam no chão e atiraram nelas", acrescentou o responsável da PSNI pela investigação.

Um dos feridos se encontra em estado gravíssimo, enquanto dois tiveram ferimentos considerados graves e outro se mantém estável dentro do estado grave, informaram hoje fontes oficiais.

O atentado gerou uma onda de rejeição em toda a ilha, assim como no Reino Unido, onde o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, ressaltou que "nenhum assassino poderá tirar dos trilhos um processo de paz que conta com o apoio do povo da Irlanda do Norte".

Essa foi a mensagem lançada também pelo Governo de Dublin, passando por todos os partidos políticos da região, incluindo o Sinn Féin, que afirmam que a ação não afetará o processo de paz e o funcionamento do Executivo, de poder compartilhado entre católicos e protestantes.

Embora o risco de que ocorram outros ataques seja alto e, para os dissidentes, esta ação contra as forças de segurança seja um grande golpe de propaganda, essas facções, na realidade, não contam com o apoio da população ou com uma estratégia política clara, além do objetivo histórico de unificar a ilha da Irlanda.

O dirigente do Sinn Féin, Gerry Adams, se expressou nesse sentido hoje, após qualificar de "equivocada e contraproducente" a tática desses grupos.

Ele pediu à comunidade republicana da província para "manter a calma" neste momento, um apelo que serve igualmente para as forças de segurança e às autoridades competentes.

Para Adams, a intenção dos dissidentes é que "os soldados britânicos voltem às ruas", além de "destruir os progressos dos últimos anos para afundar a Irlanda em um novo conflito".

As palavras do político ganharam hoje relevância especial, já que o Sinn Féin criticou duramente o fato de o PSNI ter solicitado esta semana a intervenção do MI5 e das Forças Armadas britânicas para ajudar a combater a crescente ameaça de facções dissidentes do IRA.

Em agosto de 2007, como parte do processo de paz, o Exército britânico encerrou suas operações na província, aonde chegou em 1969 para apoiar a Polícia a combater o aumento da violência gerado pelos confrontos entre católicos e protestantes, uma situação que durou mais de 30 anos. EFE ja/db

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