Polícia liberta alunos acorrentados em escola ilegal no Paquistão

Cerca de 50 estudantes eram mantidos presos em porão de escola religiosa na cidade de Karachi e sofriam tortura

iG São Paulo |

Cerca de 50 estudantes foram libertados de uma escola religiosa em Karachi, cidade portuária do Paquistão. Eles foram encontrados presos por correntes no subsolo de uma instituição de ensino islâmica radical - ou madrassa - que funcionava ilegalmente.

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AP
Criança paquistanesa chora depois de ser resgatada pela polícia durante batida em escola islâmica em Karachi

Os meninos, alguns com 12 anos, apanharam, ficaram privados de comida e foram mantidos no que a polícia chamou de câmara de tortura. Alguns pais pagaram para seus filhos irem à escola, conhecida como "cadeia madrassa", porque seus filhos eram viciados em drogas ou estavam envolvidos em crimes.

Um inquérito já foi aberto para investigar o caso. Pelo menos dois responsáveis pelo funcionamento da madrassa foram presos, mas o chefe da escola conseguiu escapar, informou a polícia.

Os alunos descreveram o regime brutal que funcionava dentro da madrassa. Um disse que apanhou 200 vezes, enquanto outro contou que eles seriam enviados para se juntar à guerra e se tentassem escapar levariam 200 chibatadas.

"Eu fui mantido no porão pelo mês passado e fui preso em correntes. Eles também me torturaram diversas vezes nesse período. Eu apanhei com paus de madeira", disse Mohi-ud-Din para a Reuters.

Um outro estudante, ouvido pela BBC, disse que era forçado a estudar o tempo inteiro. "Eles não davam comida ou roupas apropriadas", disse.

Um garoto afirmou que membros do Taleban visitaram o seminário e os disseram para se prepararem para a batalha. "Toda possibilidade incluindo o envolvimento na militância será investigado", disse Sharfuddin Memon, porta-voz do centro de assuntos internos da província de Sindh.

Uma parte dos estudantes, aparentemente, estava envolvida com drogas ou crimes pequenos. Alguns pais pagaram uma quantia substanciosa para matricular seus filhos no seminário e solicitaram, em alguns casos, que as crianças fossem presas em correntes.

Muitos pais deixaram seus filhos na madrassa para tratamento, acreditando que um regime duro ajudaria na reabilitação - alguns desses pais afirmaram à BBC que estavam felizes com o resultado, pois as correntes impediam seus filhos de escapar. "Se uma criança tem problemas com má companhia, cigarro e drogas, então nós não temos escolha a não ser colocá-los nesses lugares", disse Mohammed Qasim, um dos pais.

Os meninos foram encontrados durante uma batida policial no seminário localizado no distrito central de Sohrab Goth na noite de segunda-feira, informou a polícia.

A polícia tinha uma pista de que o chefe do seminário mantinha os estudantes acorrentados no porão e os sujeitava à tortura e abusos. "Eles tinham idade entre 12 e 50 anos e são principalmente de etnia pashtun", disse o superintendente da polícia de Gadap Town, Rao Anwar.

Pelo menos 18 dos resgatados tinham menos de 20 anos, segundo a AFP. Há centenas de madrassas no Paquistão que educam mais de 2 milhões de estudantes. Muitas famílias pobres do Paquistão só conseguem enviar seus filhos a madrassas deste tipo, acusadas de formar futuros membros de grupos islamitas armados neste país ou no Afeganistão.

Reuters
Funcionários da madrassa no porão da escola localizada nos arredores de Karachi, no Paquistão

Mais de dois milhões de paquistaneses estudam em mais de 15 mil madrassas em todo o país, ou seja, 5% das 34 milhões de crianças que vão à escola, indicam dados oficiais. Segundo diversas estimativas, há milhares de outras madrassas não registradas, que são frequentadas pelos alunos mais pobres.

Com BBC e AFP

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