A Polícia de Palermo, no sul da Itália, prendeu nesta terça-feira 99 pessoas acusadas de estarem reorganizando a Cosa Nostra, a temível máfia siciliana.

Na operação, considerada histórica pelas autoridades, a nova cúpula da Cosa Nostra foi desmantelada, com ações policiais em várias cidades da Sicília e também da região da Toscana.

De acordo com as investigações, que duraram mais de nove meses, os mafiosos não conseguiram eleger um grande chefe, mas estavam tentando se organizar mantendo o mesmo estilo de antigamente.

"Se com a Operação Gotha, de junho de 2006, a Cosa Nostra estava de joelhos, com esta operação estamos impedindo seu relançamento cercando todas as cabeças estrategicamente pensantes de uma nova estrutura de comando", destacou o procurador nacional anti-máfia Pietro Grasso.

Segundo o procurador, os mafiosos estavam tentando reconstruir a "Comissão Provincial", apoiada pelo chefe fugitivo Matteo Messina Denaro e tendo como objetivo trazer de volta toda a cúpula mafiosa.

No passado, a Comissão - chefiada por Totò Riina - foi responsável pelos mais sangrentos episódios da história da Cosa Nostra e é o organismo encarregado de tomar as decisões mais importantes.

Como chefe da Comissão Provincial estava Benedetto Capizzi, antigo chefe de Villagrazia.

Junto a ele, alguns nomes históricos da família mafiosa como Gerlando Alberti, Gregorio Agrigento, Giovanni Lipari, Gaetano Fidanzati e Salvatore Lombardo, de 87 anos, o mais idoso entre os detidos nesta terça-feira.

Os investigadores envolvidos na Operação Perseo conseguiram chegar aos novos mafiosos graças a interceptações telefônicas feitas nos lugares onde os chefes se reuniam para discutir negócios e novas estratégias.

Segundo as autoridades, os novos líderes da Cosa Nostra demonstravam grande interesse na política, em particular apoiando nas eleições eleitorais candidatos considerados confiáveis pelos chefes mafiosos.

E é justamente a política um dos pontos em que se baseia a Operação Perseo, que identificou dezenas de novos "homens de honra" e, em particular, aqueles que estavam à frente das atividades das famílias mafiosas de Palermo.

Os policiais ainda identificaram os responsáveis por inúmeros casos de extorsão a estabelecimentos comerciais e empresariais, confirmando que essa é uma atividade de grande importância para a organização.

Também foi confirmado o interesse da Cosa Nostra no tráfico internacional de drogas. Na execução das prisões, estiveram envolvidos 1,2 mil policiais militares.

Os quase 100 detidos responderão a crimes como associação mafiosa, extorsão, tráfico de armas e tráfico internacional de drogas.

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