A justiça italiana anunciou ter desferido nesta terça-feira um golpe histórico à Cosa Nostra, a máfia siciliana, que estava se reerguendo após a detenção, há 32 meses, do chefão Bernardo Provenzano, com uma grande operação que permitiu a captura de uma centena de pessoas.

Conduzida na província de Palermo e na Toscana (centro da Itália), a operação tinha como alvos os chefes estratégicos dos clãs mafiosos do oeste da Sicília, o feudo da Cosa Nostra, assim como seus tenentes e comandados, destacou o procurador nacional antimáfia, Pietro Grasso.

De acordo com o magistrado, a operação, batizada "Perseu", o nome do herói da mitologia grega que decapitou a Medusa, impediu a Cosa Nostra de "levantar a cabeça", dois anos e meio após a operação "Gotha", que a colocara de joelhos.

Em junho de 2006, a operação "Gotha" culminou com 40 detenções, dois meses depois da captura do 'capo di tutti' Bernardo Provenzano, o chefe supremo da Cosa Nostra.

Os líderes mafiosos detidos nesta terça-feira projetavam reconstituir a 'cupola', a direção tradicional da Cosa Nostra, com o objetivo de tomar decisões importantes, entre as quais o assassinato de personalidades, afirmou Pietro Grasso.

A tentativa de recriar este órgão supremo de decisão também fazia pairar a ameaça de "uma perigosa luta de poder na organização", segundo um comunicado da polícia de Palermo.

A 'cupola', também chamada de "Comissão", não existe mais desde a prisão, em 1993, de Toto Riina, o líder histórico da Cosa Nostra.

Toto Riina, 78 anos, também conhecido como "A Fera", está cumprindo várias penas de prisão perpétua em um complexo de segurança máxima por ter cometido ou ordenado uma centena de assassinatos, entre os quais os dos juízes Giovanni Falcone e Paolo Borsellino em 1992.

A operação "Perseu", que exigiu nove meses de investigação para ser montada, mobilizou 1.200 policiais auxiliados por helicópteros.

Grampos telefônicos permitiram reconstituir o organograma dos diversos clãs mafiosos da região de Palermo.

De acordo com a agência Ansa, eles revelaram que Toto Riina ainda é considerado o chefe supremo da organização.

Os gramps também comprovaram que a máfia apoiou dois candidatos nas últimas eleições regionais, um do Partido das Liberdades de Silvio Berlusconi e o outro do partido centrista UDC.

As pessoas detidas nesta terça-feira são ligadas a Matteo Messina Denaro, o chefe da máfia em Trapani (oeste da Sicília), um dos feudos da organização criminosa. Denaro, no entanto, conseguiu fugir.

O ministro italiano do Interior, Roberto Maroni, elogiou a operação, e afirmou que estas detenções "confirmam que o combate à máfia é uma das prioridades deste governo".

nou/kd/yw

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.