Polícia israelense retira colonos judeus de prédio em Hebron

Paralelamente, Ministério de Habitação publica licitações para construção de mais de 800 alojamentos em Jerusalém Oriental

iG São Paulo |

A polícia israelense retirou colonos judeus nesta quarta-feira de um prédio que eles disseram ter comprado de um palestino na cidade de Hebron, na Cisjordânia, palco frequente de tensão no entre Israel e palestinos.

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A presença de 15 colonos no edifício de dois andares havia causado divisões dentro do gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, com o ministro de Defesa Ehud Barak pressionando pelo despejo dos colonos.

AP
Forças de segurança israelenses retiram colonos judeus de prédio em Hebron
Netanyahu havia pedido a Barak para dar mais tempo aos colonos para que eles pudessem apresentar evidências legais de sua reivindicação de posse do prédio, que foi contestada pelas autoridades palestinas.

Autoridades de defesa, no entanto, disseram que os colonos haviam entrado sem a aprovação do governo israelense em uma área particularmente sensível na Cisjordânia ocupada. Uma declaração emitida pelo escritório de Barak horas antes do despejo disse que o governo tinha o dever de "defender o Estado de Direito".

O porta-voz da polícia de Israel, Micky Rosenfeld, disse que a polícia e oficiais paramilitares de fronteira realizaram a desocupação segundo a decisão do governo. Não houve violência.

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Os colonos buscavam expandir um assentamento de cerca de 500 israelenses no coração de Hebron, onde vivem cerca de 250 mil palestinos e onde a inimizade entre os dois grupos é alta.

Embora politicamente forte, Netanyahu tem enfrentado questões dentro do seu partido Likud e outros parceiros da coalizão de direita sobre seu compromisso com os colonos, muitos dos quais se veem cumprindo o direito judaico de origem às terras bíblicas.

Em um comunicado emitido poucos minutos antes de os colonos serem retirados do prédio, Netanyahu disse que em breve pediria ao governo para conceder estatuto formal a três postos avançados de colonos na Cisjordânia construídos há mais de uma década, sem permissão do Estado.

A medida de Netanyahu para aprovar esses postos levantou especulações de que ele estaria tentando acalmar líderes dos colonos irritados com a desocupação de Hebron.

Licitações

Paralelamente à retirada dos colonos, o Ministério de Habitação israelense publicou licitações para a construção de 872 alojamentos para colonos em Jerusalém Oriental, e de outros 249 em assentamentos na Cisjordânia e nas Colinas de Golã.

As 872 residências serão construídas em Har Homa, um bairro de colonização situado no sul de Jerusalém Oriental, segundo o site do ministério. Outras 180 casas serão construídas em Givat Zeev, ao norte da cidade, e 69 em Katzrin, em Golã ocupada.

De acordo com Daniel Seidemann, diretor da Terrestrial Jerusalem, uma organização não governamental israelense dedicada ao desenvolvimento de Jerusalém Oriental, essas licitações fazem parte de uma campanha punitiva de Israel contra os palestinos depois que a Palestina foi admitida como membro de pleno direito (e, portanto, como um Estado) na Unesco.

No início de novembro, Israel anunciou sua intenção de construir 2 mil novas casas para colonos (sendo 1.650 delas em Jerusalém Oriental) em resposta à decisão da Unesco de aceitar a Palestina.

Israel proclama Jerusalém como sua capital eterna e indivisível, enquanto os palestinos desejam que Jerusalém Oriental (ocupada e anexada por Israel após a Guerra dos Seis Dias, em 1967) seja a capital do Estado que tentam criar.

A comunidade internacional considera que todas as colônias são ilegais, tanto as autorizadas pelo governo israelense quanto as ilegais.

*Com Reuters e AFP

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