Polícia investiga ligação entre os dois autores de tiroteios na Finlândia

Partilhando do ódio pela humanidade, os autores dos dois tiroteios que deixaram 20 mortos em menos de um ano em escolas na Finlândia parecem ter estado em contato antes de concretizar seus respectivos projetos, segundo está sendo investigado pela polícia nesta quinta-feira.

AFP |

"É possível, e acho até que é provável. Eles tinham muitos centros de interesses comuns, como o tiro (com pistola), e compartilhavam as mesmas idéias. Eram muito parecidos", declarou à AFP o responsável pela investigação do tiroteio de terça-feira, Jari Neulaniemi.

Os investigadores estão convencidos de que o cenário do tiroteio de terça-feira em Kauhajoki foi inspirado do massacre de novembro passado, o primeiro em ambiente escolar já perpetrado na Finlândia, e que os dois assassinos estiveram em contato.

Em sinal do nervosismo que tomou conta do país desde a tragédia de Kauhajoki, a polícia prendeu nesta quinta-feira pelo menos cinco pessoas que teriam proferido ameaças mais ou menos xplícitas contra estabelecimento escolares.

Na manhã de terça-feira, Matti Juhani Saari, estudante em hotelaria na escola profissionalizante de Kauhajoki (sudoeste da Finlândia), matou com uma pistola semi-automática nove alunos da mesma sala e um professor. Depois, ele incendiou o edifício, e atirou contra a própria cabeça.

Em 7 de novembro de 2007, Pekka-Eric Auvinen, 18 anos, matou oito pessoas em seu colégio de Jokela, ao norte de Helsinque.

Tanto Auvinen como Saari haviam anunciado a intenção de cometer um massacre em vídeos postados na internet. Além disso, Auvinen também tentou incendiar seu colégio depois de matar seus colegas, antes de voltar a arma contra ele mesmo.

Em outra semelhança entre os dois casos, Saari comprou sua pistola de calibre 22 na única loja de armas de Jokela, a mesma onde Auvinen comprara sua arma.

Os investigadores ainda não têm nenhuma prova formal de que tenha havido um contato físico, ou até à distância, entre os dois homens, mas ainda têm uma pista para explorar: o computador de Matti Saari.

Nesta quinta-feira, a polícia deu novos detalhes sobre o massacre de terça-feira. Segundo os agentes, Saari era frio e metódico.

"Ele era agressivo, e disse às suas vítimas que sentia prazer em fazer isso", destacou o chefe da polícia finlandesa, ressaltando que "os alunos não tinham qualquer chance de sair dali vivos".

"O tiroteio foi planejado, o objetivo era matar. Ele matou suas vítimas uma de cada vez", frisou Neulaniemi.

Dois dias depois da tragédia, a emoção continuava viva nesta quinta-feira em Kauhajoki, uma pequena cidade de 14.000 habitantes no litoral sudoeste da Finlândia.

Moradores ainda vêm colocar silenciosamente velas diante da escola. Há agora mil velas na frente do estabelecimento, cujo acesso segue bloqueado pela polícia militar.

Desde o tiroteio, várias escolas receberam ameaças que justificaram sua evacuação ou seu fechamento.

Em Masku (oeste), a escola Hemmiki ficou fechada nesta quinta-feira depois de um aluno ter postado na internet fotos dele com uma arma na mão.

O temor de novos ataques até se propagou a países vizinhos. Na Suécia, um colégio foi evacuado nesta quinta-feira depois de ter recebido ameaças.

Além disso, um adolescente de 16 anos ainda estava sendo interrogado nesta quinta-feira na Suécia depois de a polícia ter descoberto vídeos dele armado e proferindo ameaças no site YouTube.

bur/yw

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG