Polícia hondurenha reprime seguidores de Zelaya

TEGUCIGALPA (Reuters) - Seguidores do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, entraram na quarta-feira em confronto com a polícia pelo segundo dia consecutivo, durante uma manifestação contra o golpe militar de 28 de junho. A polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar milhares de manifestantes em Tegucigalpa, a capital, e alguns participantes da passeata reagiram atirando pedras. O incidente aconteceu perto do Congresso, e a situação se acalmou durante a tarde.

Reuters |

O esquerdista Zelaya foi derrubado pelo Exército depois de irritar as elites com seus planos de alterar a Constituição para poder disputar um novo mandato. O golpe mergulhou Honduras na pior crise da América Central em duas décadas.

As negociações mediadas pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, estão num impasse, e o governo interino se recusa a permitir até mesmo a volta de Zelaya a Honduras, quanto mais ao poder, como quer a comunidade internacional.

Os protestos de terça e quarta-feira, que deixaram vitrines quebradas na capital, estão entre os raros casos de manifestações com resultados violentos desde o golpe, que transcorreu sem derramamento de sangue.

Zelaya esteve no Brasil nesta quarta e se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como parte de uma visita a vários países das Américas em busca de apoio diplomático.

Se por um lado os seguidores de Zelaya continuam nas ruas, por outro também houve enormes manifestações de apoio ao governo interino liderado por Roberto Micheletti.

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta semana que seu país condenava fortemente o golpe, mas que seria hipócrita exigir um envolvimento mais incisivo de Washington para restituí-lo ao poder.

O governo provisório diz que pretende permanecer no cargo até as eleições, que já estavam programadas para novembro. O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, José Miguel Insulza, declarou recentemente que o órgão regional não reconhecerá a legitimidade dessa eleição se Zelaya não for devolvido à presidência.

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