Polícia hondurenha confronta simpatizantes de Zelaya

TEGUCIGALPA - Forças policiais lançaram gás lacrimogêneo e entraram em confronto contra centenas de partidários do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, os quais permanecem em frente ao palácio presidencial em Tegucigalpa desde domingo.

Redação com agências internacionais |

AP
Polícia dispersa manifestantes em Honduras

Polícia dispersa manifestantes em Honduras

Com o apoio de dois helicópteros, as forças policiais desmontaram vários piquetes que obstruíam o acesso à residência oficial e detiveram um número indeterminado de pessoas, calculado em quase 30 por organizações sociais.

Um fotógrafo da AFP disse que o confronto deixou vários feridos. "Os militares estão atirando à vontade", afirmou, contando que os manifestantes responderam atirando pedras. "Há feridos por todos os lados: civis, militares e policiais".

Honduras fechou estações de rádio e televisão desde que o golpe militar do fim de semana, o que provocou condenação de entidades internacionais de defesa da liberdade de imprensa.

Pouco depois de militares hondurenhos terem detido o presidente Manuel Zelaya e o obrigado a partir para a Costa Rica, no domingo, soldados invadiram uma popular estação de rádio e fecharam as redes internacionais de TV CNN em Espanhol e Telesur, emissora venezuelana que tem o patrocínio de governos esquerdistas da América Latina.

Um canal pró-governo também foi fechado. As poucas emissoras de rádio e TV operando colocaram no ar nesta segunda-feira música, novelas e programas de culinária.

Elas quase não se referiram a manifestações ou condenações internacionais ao golpe, apesar de centenas de pessoas protestarem em frente do palácio presidencial, na capital, para exigir o retorno de Zelaya e o fim do blecaute imposto à mídia.

"Este governo espúrio está violando nosso direito à informação ao bloquear os sinais de canais como a CNN", disse um dos líderes dos protestos, Juan Varaona, diante de uma barricada. Pneus em chamas lançavam grossas nuvens de fumaça no céu da cidade.

Outros manifestantes xingavam os dois principais jornais hondurenhos e diziam que eles ainda continuam com suas edições online somente porque apoiaram o golpe.

"El Heraldo e El Tribuno são dois jornais que fazem parte do esquema golpista, como também alguns canais de TV controlados pela oposição ao governo", disse Erin Matute, de 27 anos, funcionário do setor estatal de saúde. "Esta manhã somente eles tinham sinal. Os outros estavam fechados", afirmou Matute, que estava numa barricada em uma rua da capital.

Alguns manifestantes queimaram e esmagaram os estandes onde são colocados esses jornais e os usaram na montagem das barricadas para bloquear as ruas ao redor do palácio presidencial.

A entidade Repórteres Sem Fronteiras, ONG com sede em Paris, atuante na defesa da liberdade de imprensa, condenou o cerceamento à mídia.

"A suspensão ou fechamento de órgãos de mídia local ou internacional indica que os líderes do golpe querem esconder o que está acontecendo", afirmou o grupo em um comunicado. "A Organização dos Estados Americanos e a comunidade internacional têm de insistir que seja levantado o blecaute de notícias", diz o texto.

O golpe militar - desencadeado por uma disputa sobre a iniciativa de Zelaya de tentar aprovar a reeleição presidencial no país - é a maior crise política na América Central nos últimos anos.

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(Com informações da Reuters e da EFE)

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