Por Renee Maltezou e Ingrid Melander ATENAS (Reuters) - A polícia entrou em confronto nesta quinta-feira em Atenas com jovens que atiravam pedras durante um protesto que reuniu milhares de pessoas contra as medidas fiscais adotadas pelo governo grego.

O confronto ocorreu em uma praça central, e a polícia reagiu usando cassetetes e gás lacrimogêneo. O incidente aconteceu ao fim de uma passeata com cerca de 20 mil pessoas que batiam tambores e gritavam slogans como "Os ricos devem pagar pela crise." A manifestação marcou a segunda greve geral em duas semanas no país.

Grupos de anarquistas atiraram bombas de gasolina, quebraram vitrines, danificaram carros, incendiaram lixeiras e arremessaram lascas de mármore arrancadas da escadaria do Banco da Grécia.

Dois manifestantes e 13 policiais ficaram levemente feridos, e 16 pessoas foram detidas, segundo a polícia. O nível de violência, no entanto, foi bem inferior ao dos distúrbios que paralisaram Atenas durante semanas em 2008, depois da morte de um adolescente por policiais.

"Todo mundo está vendo a Grécia para ver a profundidade, intensidade e sustentabilidade dos protestos", disse o professor de Relações Internacionais da Universidade de Atenas, Theodore Couloumbis.

"Esses protestos são provavelmente semelhantes ao bloqueio de agricultores deste ano, que perdeu o fôlego após um tempo", disse ele.

A participação nas passeatas de Atenas foi um pouco superior ao da greve nacional anterior, em 24 de fevereiro, mas não pode ser considerada enorme para os padrões gregos, e está bem abaixo dos 100 mil manifestantes presentes em uma passeata no ano passado contra medidas semelhantes na Irlanda.

"As pessoas entendem que passamos por tempos difíceis", disse uma fonte de primeiro escalão do governo. No fim da tarde, as ruas já estavam praticamente normalizadas.

Os protestos na Grécia, organizados por sindicatos que representam cerca de metade da força de trabalho do país, afetaram voos, portos, escolas, hospitais e transportes públicos. Muitos sítios arqueológicos e museus ficaram fechados ao turismo, e a divulgação de dados sobre PIB e desemprego foi adiada.

(Reportagem adicional de Deborah Kyvrikosaios)

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