Polícia grega continua em alerta para evitar mais distúrbios

Atenas, 14 dez (EFE).- A Polícia grega continua hoje em alerta em todo o país para evitar novos distúrbios, após os confrontos registrados nesta madrugada com várias dezenas de radicais no bairro de Exarhia, onde um adolescente morreu no último dia 6 por causa do disparo de um policial.

EFE |

Na manhã de hoje, os bombeiros apagaram um incêndio nas dependências do Ministério de Obras Públicas, no bairro de Patision, que no sábado à noite foi objeto de um ataque com bombas incendiárias.

A delegacia de Exarhia, o bairro onde o jovem Alexandros Grigoropoulos, de 15 anos, morreu há oito dias, foi atacada com coquetéis Molotov por radicais, e as forças da ordem responderam com o lançamento de gás lacrimogêneo.

Os radicais contra-atacaram colocando barricadas nas ruas que levam à praça de Exarhia, e colocaram fogo em contêineres.

Como nas noites de violência anteriores, os grupos de radicais atacaram filiais bancárias - destruíram três e dois caixas eletrônicos - além de dois carros e diversas lojas da avenida de Patision.

No entanto, a violência foi menor do que nos primeiros dias dos distúrbios e se limitou a pontos da capital grega.

As organizações estudantis devem continuar suas manifestações pacíficas nesta semana em todas as cidades do país, em protesto contra a violência policial, que desencadeou na Grécia uma das piores crises dos últimos 35 anos.

Além disso, têm intenção de manter o fechamento dos centros de ensino médio e das universidades até o início de 2009, em sinal de protesto.

Nos próximos dias, deve sair o relatório balístico que permitirá estabelecer se o projétil que matou Alexandros atingiu o jovem grego depois de desviar em algum objeto.

O policial Epaminondas Korkoneas, acusado de "homicídio proposital", declarou-se inocente perante o juiz e disse que atirou para o alto em defesa própria, após um incidente com um grupo de radicais que jogavam pedras contra sua patrulha.

Durante os violentos distúrbios e saques na capital grega, a Polícia deteve 460 pessoas, das quais 176 foram acusadas de roubo e desordens, enquanto os danos materiais superam os 200 milhões de euros.

As manifestações organizadas no sábado contra o Parlamento em Atenas em memória de Alexandros por adolescentes e companheiros de ecola da vítima foram, pela primeira vez, pacíficas, mas com palavras de ordem contra a Polícia.

A situação é muito tensa, como mostra o fato de que 60% dos gregos acreditam que o país passa por um levante social, segundo a imprensa local.

Outros 41% consideram que nenhum líder político reagiu corretamente diante da situação, mas 20% acham que o primeiro-ministro grego, Costas Caramanlis, fez melhor do que qualquer político opositor.

Segundo uma pesquisa publicada por outro jornal, 83,3% dos gregos não estão satisfeitos com as ações do Governo conservador para tramitar a crise, e 55,8% consideram que a morte do adolescente se deve à má preparação e prepotência da Polícia.

A oposição socialista tem 4,8 pontos de vantagem sobre o partido governamental Nova Democracia após os distúrbios, segundo uma pesquisa. A ministra de Exteriores grega, Dora Bakoyani, um dos nomes para a sucessão na liderança do partido conservador, reconheceu a fraqueza do Estado para proteger os bens dos cidadãos.

EFE Afb/an

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