Polícia da França detém 19 suspeitos de 'radicalismo islâmico'

Detenções acontecem após ataques assumidos por Mohamed Merah e comparados ao 11 de Setembro pelo presidente francês

iG São Paulo |

A polícia da França deteve 19 suspeitos de “envolvimento com o radicalismo islâmico” nesta sexta-feira, afirmou o presidente Nicolas Sarkozy, que comparou os ataques assumidos pelo franco-argelino Mohamed Merah aos atentados de 11 de Setembro de 2001 .

“Os traumas dos ataques em Montauban e Toulouse são profundos. Não quero comparar horrores, mas é um pouco como o trauma visível nos Estados Unidos depois do 11 de Setembro. Temos de ser capazes de tirar conclusões (do que aconteceu”, disse Sarkozy, sem dar detalhes sobre os detidos na operação contra extremistas islâmicos.

Leia também: França enterra atirador depois de recusa da Argélia

De acordo com o presidente, os detidos não estão “apenas ligados” ao ataque a uma escola judaica e aos dois atentados contra militares assumidos por Merah.

“São detenções no país inteiro em conexão com o radicalismo islâmico, que aconteceram de acordo com a lei”, afirmou, prometendo outras operações semelhantes. “Vamos continuar com essas ações que nos permitirão expulsar de nosso território as pessoas que não devem estar aqui."

Um investigador policial disse à Associated Press que o departamento antiterrorismo da Brigada Criminal deteve cinco homens durante a madrugada em Paris. Armas também foram confiscadas. As outras detenções aconteceram em Toulouse, Marseille, Nantes e Lyon. Segundo o investigador, nenhum dos suspeitos foi citado no inquérito sobre os ataques assumidos por Merah.

O jornal "Le Figaro" afirmou que as detenções estão relacionadas ao grupo jihadista Forsane Alizza, dissolvido pelo Ministério do Interior em 29 de fevereiro e que tinha sua principal base em Nantes. Sarkozy teria ordenado uma pesquisa mais profunda sobre essas organizações radicais islâmicas após os ataques de Merah, que disse ser membro da Al-Qaeda.

Enterro de Merah

O corpo de Merah foi enterrado nos arredores da cidade de Toulouse na quinta-feira, na parte muçulmana do cemitério de Cornebarrieu, horas depois de o prefeito da cidade dizer que seria inapropriado enterrá-lo no local e pedir um adiamento de 24 horas.

Pouco mais de dez pessoas, sendo a maioria jovens, acompanharam o corpo de Merah, fechado em um caixão de madeira clara com alças douradas, e realizaram uma oração no momento em que o corpo desceu à sepultura. O cemitério, que costuma estar fechado a essa hora, foi aberto especialmente para a cerimônia.

AP
Parentes são vistos durante enterro de Mohamed Merah, que assumiu ataques na França (29/03)

Abdallah Zekri, do Conselho Muçulmano da França, ajudou a organizar o funeral e disse à agência France Presse que as objeções com autoridades haviam sido deixadas de lado para que o enterro pudesse ser realizado. “Houve negociações e chegamos a um acordo”, disse Zekri.

Mais cedo, autoridades da Argélia recusaram a ideia de enterrar o assassino confesso de três ataques lá. O prefeito de Toulouse, Pierre Cohen, tentou vetar que o corpo do franco-argelino de 23 anos fosse enterrado na cidade. “Seguindo a recente recusa da Argélia em aceitar o corpo de Mohamed Merah, o prefeito Pierre Cohen sente que o enterrro na cidade de Toulouse é inapropriado”, disse anteriormente seu gabinete em comunicado.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, no entanto, disse à rede BMFTV que o enterro de Merah poderia ser realizado na França. “Ele era francês. Deixe ele ser enterrado”, disse o presidente.

Com AP e EFE

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