Segundo comissário-geral, muitos dos oficiais foram acusados de ter vínculos com cartéis de drogas na cidade mais violenta do país

Em meio à sua luta contra os cartéis de droga, a polícia federal mexicana destituiu nesta segunda-feira 3,2 mil  de seus agentes - ou seja, quase 10% de seu contingente - sob acusações de delitos, violação de regulamentos, incompetência e vínculos com o crime organizado. O expurgo na organização, que lidera a luta contra o crime organizado no país juntamente com o Exército e a Marinha, é o maior desde a chegada de Felipe Calderón à presidência.

A iniciativa faz parte de uma série de esforços para sanar os casos de corrupção dentro do corpo policial mexicano , em meio ao aumento da violência causada pelas disputas entre traficantes.

O comissário-geral da Polícia Federal mexicana, Facundo Rosas, anunciou a abertura de expedientes disciplinares para outros 1.020 agentes da mesma corporação, que são ligados à Secretaria de Segurança Pública (SSP). Eles também poderão ser destituídos futuramente de seus cargos.

Segundo Rosas, nenhum dos oficiais demitidos terá permissão de trabalhar em forças policiais nos níveis locais, estaduais ou federais. Desde maio, mais de 4,5 mil oficiais foram dispensados, muitos com acusações penais.

Cartéis de drogas do México contornam a ofensiva do Estado e expandem atividade por meio de alianças
Arte/iG
Cartéis de drogas do México contornam a ofensiva do Estado e expandem atividade por meio de alianças
Rosas informou que alguns dos oficiais foram acusados por seus subordinados de ter vínculos com cartéis de drogas em Ciudad Juárez, a cidade mais violenta do país.O comissário-geral disse que esse é apenas o primeiro passo para limpar as forças policiais do México.

Guerra contra o narcotráfico

Logo após assumir o poder, o presidente Felipe Calderón lançou sua guerra contra o narcotráfico. A muitas partes do país ele enviou o Exército para combater os traficantes, apesar da oposição de muitos de seus críticos.

Mas, segundo Rosas, a polícia federal também participa da guerra das drogas. Segundo ele, as destituições fazem parte de uma estratégia para livrar a polícia da corrupção e tornar seus 34,5 mil membros mais confiáveis, já que são uma parte integral das forças de segurança do país. A guerra contra os cartéis de droga deixaram mais de 28 mil mortos desde a posse de Calderón, em dezembro de 2006.

Presidente mexicano, Felipe Calderón, lançou guerra contra o narcotráfico logo após posse
Arte/iG
Presidente mexicano, Felipe Calderón, lançou guerra contra o narcotráfico logo após posse
Massacre de 72 imigrantes

As destituições ocorrem dias depois da repercussão internacional da chacina de 72 imigrantes ilegais , incluindo pelo menos dois brasileiros , no Estado de Tamaulipas. Segundo depoimento do único sobrevivente do massacre, o equatoriano Luis Freddy Lala Pomavilla , de 18 anos, os imigrantes foram mortos após não aceitar prestar serviços para o cartel Los Zetas.

De acordo com Pomavilla, morreram na chacina cidadãos do Brasil, Equador, El Salvador, Guatemala e Honduras. O número de vítimas já identificadas está em 40.

Apesar de ter recebido um visto humanitário do governo mexicano, Pomavilla preferiu deixar o país e saiu do México no domingo, disse uma fonte do governo. A fonte explicou que o equatoriano foi repatriado para seu país no domingo à noite, após receber alta médica do hospital da Marinha onde permaneceu internado em função dos ferimentos por disparos.

*Com BBC, EFE e AFP

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