Polícia entra em choque com milhares de manifestantes no Egito

Líder opositor Mohamed ElBaradei foi advertido a não sair de mesquita no bairro de Giza, no Cairo

iG São Paulo |

A polícia do Egito entrou em choque nesta sexta-feira com milhares de manifestantes que exigem a saída do presidente Hosni Mubarak, no quarto dia consecutivo de protestos contra o governo. As manifestações acontecem em nove cidades do país.

Os choque aconteceram principalmente na capital, Cairo, logo após as preces de sexta-feira. Policiais dispararam bombas de gás lacrimogêneo e usaram canhões d'água para dispersar multidões, que reagiram atirando pedras contra as forças de segurança.

Horas antes do início dos protestos desta sexta-feira, serviços de internet e de envio de mensagens por celular foram bloqueados. A oposição culpa o governo, dizendo tratar-se de uma tentativa de impedir a organização de novos protestos. As autoridades egípcias negam.

Em nota, a operadora de celulares Vodafone Egypt afirmou: "Todas as operadores de celular no Egito foram instruídas a suspender seus serviços em áreas slecionadas. De acordo com a legislação egípcia, as autoridades têm o direito de emitir tal ordem e nós somos obrigados a cumprir".

Em Suez, manifestantes invadiram uma delegacia de polícia, roubaram armas e atearam fogo ao prédio. Forças de segurança e milhares de manifestantes entraram em choque no centro da cidade, também após as preces de sexta-feira.

Houve relatos de choques nas cidades de Alexandria, Mansoura e Aswan, assim como Minya, Assiut, Al-Arish e na Península do Sinai.

ElBaradei

O líder opositor egípcio Mohamed ElBaradei, ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e prêmio Nobel da Paz de 2005, voltou ao país e prometeu apoiar as manifestações.

Após participar das orações do meio-dia, ElBaradei e seus partidários tentaram se unir a um protesto no Cairo enquanto a polícia lançava jatos d'água em sua direção. Policiais também usaram cacetetes para agredir os partidários de ElBaradei, que ficaram ao seu redor para protegê-lo.

De acordo com a agência AP, o líder opositor está ensopado em uma mesquita no bairro de Giza, da qual não pode sair porque policiais cercam o local e lançam bombas de gás lacrimogênio nas ruas próximas. Segundo a rede CNN, ele teria sido advertido a não sair da mesquita.

Detenções

Há relatos de que centenas de integrantes da oposição teriam sido presos durante a madrugada. O principal alvo das prisões teria sido o grupo Irmandade Muçulmana - que foi banido pelo governo.

Segundo o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da França, Bernard Valero, há informações de que quatro jornalistas francesas teriam sido detidas temporariameno Cairo. De acordo com uma fonte diplomática, as jornalistas trabalham para os diários Journal du Dimanche e Le Figaro, e a agência de foto Sipa e a revista Paris-Match.

Tunísia

As manifestações no Egito foram inspiradas pelos protestos populares na Tunísia que levaram à derrubada do presidente Zine el-Abidine Ben Ali, há duas semanas.

A chamada "Revolução de Jasmim" começa a afetar regimes que estão no poder há décadas graças ao predomínio do medo, consideram analistas.

Depois de Túnis, "o assunto não é qual será o seguinte, mas sim qual (regime) se salvará", afirmou Amr Hamzawy, diretor de pesquisas da fundação Carnegie no Oriente, para quem as manifestações populares poderão atingir a maioria dos países árabes, exceto as monarquias petroleiras do Golfo.

"Trata-se de uma verdadeira tendência regional, no Egito, Argélia, Jordânia, Iêmen, onde os cidadãos saem às ruas para exigir seus direitos sociais, econômicos e políticos", disse o analista.

"É uma dinâmica desencadeada no mundo árabe", disse o universitário Bourhan Ghalioun, autor em 1977 de um "Manifesto para a democracia" no mundo árabe. "O que ocorreu em Túnis rompeu o costume do medo e mostrou que era possível - com uma velocidade surpreendente - derrubar um regime, com uma dificuldade menor do que a imaginada", afirmou Ghalioun, diretor do Centro de Estudos sobre o Oriente Contemporâneo (CEOC), em Paris.

Com BBC e AFP

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