Polícia emite ordem de prisão contra chefe de emissora venezuelana

Defesa do empresário Guillermo Zuloaga diz não saber motivos da decisão

EFE |

CARACAS - A Polícia venezuelana emitiu uma ordem de prisão contra o presidente da emissora venezuelana "Globovisión", Guillermo Zuloaga, e seu filho, informou hoje a advogada do dirigente, Perla Jaimes. "É uma ordem de apreensão. Embora (os agentes policiais) não tenham competência para entrar na casa, não temos problema de que entrem", embora os procurados não estejam ali, disse a advogada da residência dos Zuloaga, que comandam a principal emissora de oposição ao Governo do presidente Hugo Chávez. A advogada assegurou em declarações à "Globovisión" que nas ordens não há detalhes sobre os motivos que pretendem privá-los de liberdade.

Em 3 de junho, Chávez contestou Zuloaga por tê-lo acusado em reunião da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), realizada em Aruba em março passado, de tentar matar as 19 vítimas do golpe de Estado que o derrubou durante dois dias em abril de 2002.No entanto, "o sistema deveria pôr as coisas em seu lugar", acrescentou Chávez naquele dia, quando em uma alocução televisionada insistiu que a "Globovisión" é "a ponta de lança da burguesia" e advertiu: "vamos ver quem aguenta mais". Zuloaga já foi retido durante algumas horas no dia 25 de março em um aeroporto do noroeste da Venezuela quando viajaria à ilha de Bonaire, nas Antilhas Holandesas, em seu próprio avião. A procuradora-geral venezuelana, Luisa Ortega Díaz, informou depois que havia aberto uma investigação contra o empresário por suas declarações na reunião da SIP. Ela indicou que isso podia acarretar-lhe condenações de calúnia, difamação e injúria.

A ordem de prisão, explicou a procuradora então, aconteceu porque Zuloaga pretendia escapar do país. O presidente da "Globovisión" foi então trasladado a Caracas, onde compareceu perante o juiz encarregado de seu caso em uma audiência de mais de duas horas, após a qual recebeu uma medida cautelar que lhe impede de sair do país durante o processo. O empresário negou então que tivesse tido a intenção de escapar do país e sustentou que em Aruba se limitou a relatar "uma série de fatos históricos conhecidos". A notícia da detenção do presidente de Globovisión suscitou imediatas reações de rejeição e protestos de diversas personalidades nacionais e internacionais.

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