Polícia do Paquistão busca autores de ataque contra seleção de críquete

LAHORE - A polícia do Paquistão lançou nesta terça-feira uma grande operação para tentar encontrar os homens armados que atacaram um ônibus que transportava a seleção de críquete do Sri Lanka na cidade de Lahore. De acordo com a polícia, um grupo de dez a 12 homens fortemente armados com granadas e metralhadores abriu fogo contra o ônibus e deixou pelo menos sete mortos e nove feridos - sete jogadores e dois integrantes da delegação.

Redação com agências internacionais |


Nenhum dos responsáveis pelo ataque foi morto ou capturado até o momento, de acordo com informações de autoridades paquistanesas.

O Paquistão investiga diversas possibilidades para descobrir a autoria dos ataques, desde grupos ligados ao Talebã e à Al-Qaeda a organizações militantes que operam perto da fronteira indiana ou na Caxemira, área disputada pelos dois países.

Outra possibilidade não descartada é a de envolvimento de rebeldes do grupo rebelde dos Tigres Tâmeis, em guerra civil com o governo do Sri Lanka.

O ônibus da delegação circulava pelo centro de Lahore (cidade próxima à fronteira com a Índia) com destino ao estádio Gaddafi, onde a equipe jogaria uma partida, quando foi atacado. Testemunhas relataram ter ouvido fortes explosões e barulho de tiros.

Correspondentes dizem que os autores do ataque pareciam ter sido bem treinados. Eles teriam disparado granadas para desviar a atenção e então atirado contra o ônibus.

"Nós tinhamos um motorista fantástico, que continuou a dirigir apesar de tudo, e acredito que isso nos salvou", disse o jogador Kumar Sangakkara a uma rádio australiana.

Reuters
Ônibus que levava a equipe foi alvo de disparos

Ônibus que levava a equipe foi alvo de disparos

O presidente do Sri Lanka, Mahinda Rajapakse, descreveu o episódio como um "ataque terrorista covarde" e determinou que os jogadores da seleção de críquete voltassem para o país.

A Índia ofereceu condolências às vítimas e pediu que o Paquistão "combata e destrua a infraestrutura terrorista de uma vez por todas".

Em um comunicado, o presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, também condenou o atentado e ordenou uma investigação imediata para identificar os responsáveis e as causas do ataque.

Depois do ataque desta terça-feira, o presidente do Conselho Internacional de Críquete - órgão regulamentador do esporte - disse que o Paquistão não deve ser escolhido como sede de torneios internacionais da modalidade em um futuro próximo.

Mumbai

O Paquistão está engajado em uma luta contra insurgentes islâmicos desde os ataques em Mumbai , na Índia, em novembro de 2008, em que 195 pessoas morreram.

A Índia atribuiu o atentado de Mumbai a militantes islâmicos treinados no Paquistão. O incidente provocou uma grave crise diplomática entre os dois vizinhos nucleares, gerando também pressão internacional para que Islamabad reprima grupos islâmicos que no passado contaram com a benevolência dos serviços locais de inteligência.

O grupo acusado pela Índia de realizar o atentado de Mumbai, o Lashkar-e-Taiba, é oriundo da província do Punjab, cuja capital é Lahore. Segundo a Reuters, o governador de Punjab, Salman Taseer, disse que o ataque desta terça-feira segue "o mesmo padrão" do ataque de Mumbai.

Já o ministro paquistanês da Navegação, Sardar Nabil Ahmed Gabol, disse a uma emissora de TV que os terroristas teriam entrado pela fronteira do país com a Índia. "[O ataque à equipe de críquete] foi uma conspiração para difamar o Paquistão internacionalmente", afirmou. 

(*com informações da Reuters e da BBC)

Assista à reportagem sobre o atentado:


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