Polícia do Irã reprime homenagem a vítimas de protestos

Por Parisa Hafezi TEERÃ (Reuters) - A polícia iraniana lançou gás lacrimogêneo contra manifestantes em luto por uma jovem morta na violência pós-eleitoral do mês passado que se tornou símbolo da oposição moderada contra os líderes linha-dura de Teerã.

Reuters |

Os confrontos aconteceram depois de centenas de simpatizantes do líder da oposição, Mirhossein Mousavi, reunirem-se em memória de Neda Agha-Soltan, cuja morte ocorrida no dia 20 de junho foi flagrada em vídeo e vista por centenas de milhares de pessoas na Internet.

Ao menos 300 pessoas compareceram à cerimônia em homenagem à estudante de música de 26 anos no cemitério Behesht-e Zahra, de Teerã, saudando o líder oposicionista com frases do tipo 'Mousavi, nós te apoiamos' e rodeando o carro em que ele estava ao chegar, contou uma testemunha.

A polícia, porém, forçou Mousavi a voltar para o carro e deixar o local.

Mais tarde, centenas de pessoas tentaram ir até o Grand Mosala, um amplo local para orações no centro de Teerã. Mas a polícia mobilizou suas forças do lado de fora do Mosala, rejeitando a solicitação dos líderes da oposição para fazer uma cerimônia em homenagem à estudante ali.

"Há milhares de pessoas entoando slogans em favor de Mousavi. Centenas de policiais de choque no entorno do Mosala e nas ruas adjacentes estão tentando dispersá-las", disse a testemunha.

"Agentes à paisana e a polícia de choque bateram nos manifestantes com cassetetes e a polícia disparou gás lacrimogêneo", disse um site pró-reforma.

Os manifestantes atearam fogo nos contêineres de lixo nas ruas próximas. Ao menos três manifestantes foram presos e a polícia quebrou as janelas dos carros cujos motoristas buzinavam em apoio aos manifestantes, contou a testemunha.

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Mousavi e outro candidato reformista, Mehdi Karoubi, dizem que as autoridades fraudaram a eleição de 12 de junho para garantir a reeleição do presidente linha-dura Mahmoud Ahmadinejad.

O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, apoiou o resultado e exigiu o fim aos protestos contra a eleição, que lançaram o Irã na pior crise interna desde a revolução de 1979, expondo as disputas dentro do establishment.

"Eu não entendo o significado de enviar forças policiais e agentes de segurança para cercar os que querem fazer uma homenagem póstuma", disse Karoubi no cemitério, onde a família de Neda lembrava o 40 dia de sua morte.

Neda foi baleada enquanto simpatizantes de Mousavi confrontavam-se com a polícia de choque e milicianos Basij em Teerã. As autoridades afirmam que a bala que matou a jovem é de um modelo não usado pelas forças de segurança iranianas e dizem que o incidente foi encenado para prejudicar a imagem deles.

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