Polícia do Irã enfrenta manifestantes após fechamento de jornal

TEERÃ - A polícia iraniana usou cassetetes para dispersar dezenas de partidários da oposição que gritavam morte ao ditador no centro de Teerã, nesta segunda-feira, em protesto contra o fechamento de um jornal reformista, informou uma testemunha.

Reuters |

AP

Jornalistas do veículo pro-reformista "Confiança Nacional",
no escritório do jornal em Teerã

O mais recente protesto pelas ruas da capital depois da contestada eleição presidencial de 12 de junho ocorreu perto da redação do jornal Etemad-e Melli, do clérigo pró-reforma Mehdi Karoubi.

Mehdi Karoubi irritou muitos partidários do governo linha-dura na semana passada ao dizer que alguns manifestantes de oposição presos haviam sido estuprados na cadeia. Um pouco mais cedo, na segunda-feira, o partido dele disse que o diário foi fechado temporariamente.

Embora as forças de segurança tenham conseguido reprimir as manifestações populares ocorridas após a eleição, os partidários dos candidatos moderados derrotados têm mantido o tom de desafio, protagonizando diversos protestos menores ao longo do mês passado.

A votação e as turbulências que aconteceram na sequência lançaram o Irã na sua maior crise interna desde a Revolução Islâmica de 1979, expondo divisões profundas dentro da elite dominante e abalando ainda mais as relações do país com o Ocidente.

A testemunha afirmou ter visto a polícia espancar dois homens jovens que estavam em um de vários grupos pequenos de manifestantes movimentando-se pelas ruas perto do prédio do Etemad-e Melli, entoando palavras de ordem contra o governo.

A testemunha, que pediu para não ser identificada, também afirmou ter visto um manifestante ser preso e levado para um carro da polícia. As autoridades afirmam que os protestos de rua pós-eleitorais são ilegais.

Mais cedo, a polícia havia impedido que dezenas de manifestantes se reunissem diante dos escritórios do Etemad-e Melli, onde a testemunha afirmou ter visto muitos policiais e veículos da polícia.

"Eles tentaram se reunir na frente do prédio, mas a polícia não deixou e pediu que eles saíssem", afirmou a testemunha, acrescentando que os manifestantes continuaram a cantar "morte ao ditador" e outras palavras de ordem.

Mais tarde, 400 manifestantes reuniram-se a algumas centenas de metros dali, disse ele.

Karoubi ficou em quarto lugar na eleição, mas ele e o concorrente moderado Mirhossein Mousavi afirmam que a votação foi fraudada para garantir a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad. Ahmadinejad e seus aliados negam a acusação.

O site do partido de Karoubi, que também é chamado Etemad-e Melli, disse que o jornal foi fechado no final do domingo sob ordens da procuradoria.

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