Polícia dispersa protesto no Irã com gás lacrimogêneo

A polícia iraniana utilizou bombas de gás lacrimogêneo nesta segunda-feira para dispersar um novo protesto da oposição nas ruas da capital Teerã. Cerca de mil pessoas estavam reunidas na manifestação, na praça Haft-e Tir, apesar da advertência da Guarda Revolucionária do Irã, que havia ameaçado reprimir protestos realizados sem a permissão das autoridades.

BBC Brasil |

De acordo com testemunhas, a polícia contou com o apoio de membros da milícia Basij armados com cassetetes para conter a manifestação.

A milícia Basij, formada por cerca de 90 mil voluntários e com capacidade adicional de mobilizar quase 1 milhão de militantes islâmicos, é normalmente convocada para acabar com distúrbios por meio da força e esteve envolvida na repressão aos protestos da semana passada contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Pouco antes do protesto desta segunda-feira, a Guarda Revolucionária iraniana - força de segurança de elite que tem ligação direta com o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei - anunciou em um comunicado que seus soldados iriam interromper manifestações e retirar os manifestantes das ruas.

Irregularidades
Pelo menos dez pessoas foram mortas em choques entre forças de segurança e manifestantes durante protestos no sábado. Outras 457 teriam sido presas por conta da violência, de acordo com a rádio estatal iraniana.

A mais recente onda violência teve início após Khamenei alertar, na sexta-feira, que novos protestos contra os resultados da eleição presidencial realizada no último dia 12 não seriam tolerados.

Nesta segunda-feira, o orgão que supervisiona as eleições no Irã, o Conselho dos Guardiões, reconheceu que houve irregularidades em mais de 50 zonas eleitorais durante a votação.

O conselho declarou que o número de votos contados em 50 cidades ultrapassou o de eleitores registrados, mas acrescentou que isso não iria afetar o resultado geral da eleição, vencida pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad.

O candidato presidencial derrotado, Mir Hossein Mousavi, insiste que houve fraude a favor de Ahmadinejad, e exige a convocação de uma nova eleição. Mousavi pediu aos seus simpatizantes que continuem os protestos, mas sem colocar suas vidas em risco.

Os protestos começaram depois que Ahmadinejad foi declarado o vencedor nas eleições. Os resultados oficiais apontaram a vitória do presidente por larga vantagem, com 63% dos votos - quase o dobro de Mousavi, o segundo colocado.

Inimigos
O Ministério do Exterior iraniano acusou nesta segunda-feira países ocidentais de inflamar os protestos contra o resultado das eleições, espalhando "vandalismo e anarquia". Hassan Qashqavi, porta-voz do ministério, disse que a mídia estrangeira é "porta-voz" de governos inimigos, que buscam a desintegração do Irã. Qashqavi acusou os governos ocidentais de apoiar abertamente os violentos protestos, com o objetivo de minar a estabilidade da República Islâmica do Irã. "A difusão de anarquia e vandalismo por potencias ocidentais e pela mídia ocidental não será aceita", disse o porta-voz. Segundo Qashqavi, o Ocidente está agindo de maneira "antidemocrática", em vez de elogiar o compromisso do Irã com a democracia. Ele ainda voltou a lembrar que o resultado da eleição não será anulado.

Restrições
Nos últimos dias, o Irã fez duras críticas aos governos e à imprensa de Estados Unidos e Grã-Bretanha. Qashqavi criticou nominalmente a BBC e a rede Voz da América, descritas por ele como "canais do governo".

Desde a semana passada, a BBC e outras empresas estrangeiras têm produzido reportagens do Irã sob severas restrições. No domingo, o governo pediu ao correspondente permanente da BBC em Teerã, Jon Leyne, que deixasse o país. "Eles (a BBC e a Voz da América) são porta-vozes da diplomacia pública de seus governos", disse Qashqavi. "Eles têm duas orientações em relação ao Irã: primeiro, intensificar divisões éticas e raciais dentro do Irã, e, segundo, desintegrar os territórios iranianos." "Qualquer contato com algum desses canais, sob qualquer pretexto ou qualquer forma, significa contatar o inimigo da nação iraniana", acrescentou o porta-voz do governo iraniano.

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