Polícia dispersa manifestantes pró-Zelaya em embaixada

TEGUCIGALPA (Reuters) - Soldados e policiais hondurenhos lançaram nesta terça-feira bombas de gás lacrimogêneo contra centenas de manifestantes do lado de fora da embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde o presidente deposto, Manuel Zelaya, se refugia após voltar ao país em uma tentativa de retomar o poder.

Reuters |

A polícia lançou as bombas para dispersar os manifestantes pró-Zelaya, que revidaram com pedras. Um fotógrafo da Reuters disse que ao menos dois artefatos caíram dentro do terreno da embaixada e que o edifício teve a luz elétrica cortada.

Soldados patrulhavam as ruas em torno da embaixada. O governo interino declarou toque de recolher durante todo o dia para enfrentar os protestos a favor de Zelaya, que foi deposto por um golpe em 28 de junho.

Zelaya encerrou quase três meses de exílio ao entrar secretamente em Honduras na segunda-feira. Ele buscou refúgio na embaixada brasileira para evitar ser preso, e acusava as forças de segurança de preparar um ataque.

"A embaixada está cercada de policiais e militares... prevejo ataques mais agressivos e violentos, que serão capazes de invadir até a embaixada do Brasil", disse Zelaya em entrevista à rede venezuelana Telesur.

A polícia e os militares mantinham uma forte presença ao redor do edifício, e um porta-voz da polícia disse que todos os manifestantes foram dispersados. O principal hospital de Tegucigalpa atendeu 20 pessoas feridas na confusão, alguns com fraturas nos braços ou pernas e feridas na cabeça, mas nenhum em estado grave.

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva disse que o governo garante o direito de Zelaya de se abrigar na embaixada, ignorando as exigências do governo interino de que o Brasil tire Zelaya do país e conceda-lhe asilo ou entregue o ex-mandatário às autoridades para que seja preso.

O governo interino de Roberto Micheletti começou após a queda e o exílio de Zelaya, em 28 de junho. Apesar das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia, Micheletti se recusa a voltar atrás e garantiu que Zelaya seria preso caso voltasse para Honduras. O governo de Micheletti parecia ganhar a batalha e apostava que a pressão internacional diminuiria com a eleição de um novo presidente em novembro. O próximo mandato começa em janeiro.

Mas a volta surpresa de Zelaya põe pressão sobre seus adversários, com a ameaça de protestos nas ruas.

"Estou convocando toda a população a vir a Tegucigalpa porque estamos na ofensiva final para a restituição da Presidência", disse Zelaya a uma rádio local na segunda-feira.

NEGOCIAÇÕES

Estados Unidos, União Europeia e a Organização dos Estados Americanos (OEA) pediram negociações e a volta do regime democrático no país da América Central.

A União Europeia também pediu a todos os lados do conflito nesta terça-feira que "evitem qualquer ação que possa aumentar a tensão e a violência".

Micheletti disse que não abrirá negociações novamente, e insistiu que o Brasil deve entregar Zelaya para que ele enfrente as acusações de corrupção e violação da Constituição.

"Insisto que os tribunais estão esperando que ele se apresente e pague pelos crimes que cometeu", disse Micheletti na noite de segunda-feira.

Soldados levaram Zelaya para o exílio sob a mira de pistolas após a Suprema Corte ordenar a prisão do mandatário. A alegação é que ele desrespeitou a lei ao pressionar por reformas constitucionais, que segundo críticos eram uma tentativa de mudar os limites do mandato presidencial e aumentar seu poder.

Ele refuta as acusações, e diz que não tinha a intenção de permanecer no poder após o fim do mandato. Zelaya irritava empresários, líderes de oposição e grande parte de seu próprio partido por causa da aliança com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

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