Teerã, 9 jul (EFE).- A Polícia iraniana voltou hoje a dispersar à força cerca de 2 mil pessoas que tentavam se concentrar junto à Universidade de Teerã, em lembrança à revolta estudantil de 1999, que foi o primeiro grande abalo ao regime nascido da Revolução Islâmica.

Efetivos antidistúrbios se mobilizaram em todo o centro da capital, e especialmente em torno da cerca que delimita o campus, onde lançaram gás lacrimogêneo para reprimir os manifestantes, disseram testemunhas.

A manifestação tinha sido proibida pelas autoridades, que tinham advertido que as forças de segurança, apoiadas por grupos de milicianos Basij, mostrariam a mesma contundência que usaram para impedir os recentes protestos contra a polêmica reeleição do presidente, Mahmoud Ahmadinejad.

Mesmo assim, cerca de 2 mil pessoas desafiaram a proibição e foram às ruas hoje para lembrar o brutal ataque policial à residência de estudantes na madrugada de 9 de junho de 1999.

Há uma década, milhares de estudantes tinham se concentrado no campus para protestar contra o fechamento do jornal reformista "Salaam" e contra uma lei aprovada pelo Parlamento que restringia a liberdade de opinião.

A repressão policial concluiu com um morto, centenas de feridos e milhares de detidos.

Nos últimos dias, muitos traçaram paralelismos entre aquelas manifestações e a onda de protestos que sacudiu o país desde que saiu o resultado das eleições de 12 de junho, que a oposição denuncia que foram fraudulentas.

Centenas de milhares de pessoas foram então às ruas, em uma onda de manifestações que foi reprimida com violência pela Polícia e pelos Basij.

Segundo números oficiais, nas últimas três semanas de protestos, morreram pelo menos 20 pessoas, centenas ficaram feridas e vários milhares foram detidos.

As manifestações da oposição foram ilegalizadas pelo regime, que acusa o Ocidente de incitar os distúrbios para provocar o que denominam de uma "revolução de veludo".

O Governo iraniano insiste em que as eleições de 12 de junho foram "as mais limpas" da história do país. EFE jm-msh/an

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.