Polícia dispersa concentração em memória dos protestos estudantis de 1999 no Irã

A polícia iraniana dispersou usando gases lacrimogêneos milhares de pessoas que se reuniram nas proximidades da Universidade de Teerã para recordar os protestos estudantis de 1999 e, além disso, denunciar a controvertida releição de Mahmud Ahmadinejad nas presidenciais de 12 de junho passado.

AFP |


Nos últimos dias foram distribuídos panfletos em Teerã convocando os habitantes a se manifestar para comememorar o aniversário dos distúrbios estudantis de julho de 1999 e para protestar contra o atual governo.

O regime iraniano havia prometido esmagar qualquer manifestação organizada para lembrar o aniversário dos protestos estudantis de 9 de julho de 1999, que afetaram a capital Teerã por vários dias.

Reuters
Mulher protesta contra a releição de Mahmud Ahmadinejad no Irã
Mulher protesta contra a releição de Mahmud Ahmadinejad no Irã


"Não concedemos nenhuma autorização para uma manifestação. Se alguns querem realizar ações contra a segurança influenciados pelos canais de televisão contrarrevolucionários, serão esmagados pelo povo", advertiu o governador de Teerã, Morteza Tamadon, citado pela agência oficial Irna.

Apesar da advertência, cerca de 3.000 pessoas se reuniram na avenida Taleghani, próxima à universidade no centro da capital, para gritar slogans contra o governo.

"A polícia recorreu aos gases lacrimogêneos para dispersar as pessoas", contou uma testemunha, dizendo que havia centenas manifestantes reunidos na avenida Kargar, perto da praça Enghelab (revolução), gritando "morte ao ditador".

Esta foi a primeira manifestação desde a confirmação dos resultados da eleição presidencial de 12 de junho em que Mahmud Ahmadinejad foi reeleito.

Pelo menos 20 pessoas morreram e centenas ficaram feridas durante a repressão violenta das manifestações posteriores à eleição.

Segundo o chefe do grupo de reformadores minoritário no Parlamento, Mohammad Reza Tabesh, citado pelo jornal Sarmayeh, 500 pessoas continuam presas depois das manifestações pós-eleitorais, mas o vice-promotor de Teerã, Mahmud Salarkia, assegura que apenas continuam detidos os que atentaram contra a segurança nacional ou os bens públicos.

Desde então, as autoridades proibiram toda e qualquer manifestação.

Todos os anos, diferentes grupos de estudantes organizam cerimônias para o aniversário dos protestos que começaram depois de um ataque por parte de homens à paisana e da polícia contra os dormitórios universitários de Teerã.

Na ocasião, os estudantes se reuniram para protestar contra a proibição do jornal Salam. Esses enfrentamintos deixaram um morto, segundo o balanço oficial das autoridades.

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