Polícia detém 50 pessoas por atuação em protestos no Equador

Ministro do Interior diz que detenção é "preventiva" e terá duração de 24 horas até que "outras medidas" sejam definidas

iG São Paulo |

Cerca de 50 pessoas foram detidas nesta quarta-feira no Equador acusadas de participação nos protestos que deixaram 10 mortos no país na semana passada. Segundo o ministro do Interior, Gustavo Jalkh, a detenção é "preventiva" e terá duração de 24 horas, até que "outras medidas" sejam determinadas em uma audiência marcada para hoje.

Na noite de terça-feira, o canal de televisão Ecuavisa disse que a Procuradoria havia pedido a prisão de 58 pessoas envolvidas na revolta, e que os nomes dos acusados seria publicado nesta quarta-feira.

Segundo a emissora, entre os detidos está o ex-militar Fidel Araujo, do Partido Sociedade Patriótica (PSP). A polícia também buscou Pablo Guerrero, advogado do ex-presidente Lucio Gutiérrez (líder do PSP), mas não o encontrou.

A emissora acrescentou que algumas das pessoas procuradas pela Procuradoria são militantes do Movimento Popular Democrático (MPD), antigo aliado do presidente Rafael Correa. O canal também informou que cerca de 50 agentes de segurança cumprirão a partir da noite desta terça-feira "prisão domiciliar" em uma unidade de polícia localizada no norte da capital.

Assembleia

Também nesta quarta-feira Correa afirmou que não planeja dissolver a Assembleia Nacional a curto prazo, mas ressaltou que a medida continua sendo uma opção, dias depois de o país ter sido abalado por um motim de policiais.

Correa havia levantado a possibilidade de adotar a medida prevista na Constituição - e conhecida no Equador como "morte cruzada" -, pela qual ele poderia dissolver o Congresso e legislar por decreto até que sejam realizadas novas eleições.
"Não vemos de imediato necessidade de nenhuma 'morte cruzada', mas também não podemos excluí-la", disse o presidente em uma entrevista coletiva a correspondentes estrangeiros.

Os protestos

Na quinta-feira, forças de segurança usaram bombas de gás lacrimogêneo para tentar conter os manifestantes no maior quartel militar de Quito. Ao chegar ao local, o presidente equatoriano, Rafael Correa, foi recebido pelos policiais rebelados com ofensas e pedradas.

Uma bomba de gás lacrimogêneo explodiu a poucos metros do presidente, que foi rapidamente retirado do local por seus guarda-costas e levado para o hospital. Mais tarde, em uma entrevista a uma rádio, Correa afirmou que "policiais rebelados estão tentando entrar no meu quarto, pelo teto". "Se algo acontecer comigo, a culpa é deles", disse ele.

Convocados por membros do gabinete de Correa, simpatizantes se dirigiram ao hospital "para resgatar o presidente", dizendo que havia "gente tentando entrar pelo teto para tirá-lo dali". No caminho, estes entraram em choque com policiais rebelados. No total, Correa passou mais de 12 horas no hospital antes de conseguir ser resgatado.

Após o resgate, Correa disse que "não haverá perdão" para os organizadores do levante. Falando a simpatizantes no Palácio de Governo em Quito, ele afirmou que os responsáveis serão castigados: "Mais do que nunca vamos acabar com estes entreguistas e levar a pátria adiante. Não haverá perdão nem esquecimento", disse.

Ele culpou partidos de oposição e acusou o ex-presidente Lucio Gutiérrez de ser o articulador dos protestos da polícia. "Os [agentes] de Lucio estavam infiltrados ali, incitando a violência", afirmou. Gutiérrez, que está em Brasília, negou ter participação nos acontecimentos. Ele disse que a crise era "um autogolpe de Correa para criar uma ditadura".

* Com EFE, Reuters e BBC

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