Polícia desocupa estrada e prende líder agrário na Argentina

A polícia alfandegária argentina desocupou neste sábado a estrada do Mercosul e deteve um líder agrário e outros produtores que bloqueavam o caminho em protesto contra o aumento tributário sobre a soja, segundo imagens de televisão.

AFP |

Os policiais chegaram à estrada 14, que liga a Argentina com o Uruguai, Brasil e Paraguai, com uma ordem judicial para retirar os manifestantes que a bloqueavam desde que o governo anunciou na sexta-feira que iniciaria uma ofensiva para liberar o bloqueio de mais de 300 caminhões.

A operação foi realizada na província de Entre Ríos (centro-oeste), palco principal dos mais intensos protestos que há três meses aumentam a tensão na Argentina, e que agora receberam o apoio do sindicato dos caminhoneiros enfurecidos pelas perdas do setor geradas devido à paralisação do transporte de cereais.

Os ruralistas resistiram à operação policial e houve confrontos na estrada. Até o momento não há informações oficiais sobre o número de detidos ou feridos.

"É uma atitude repudiável, mas isto não será ignorado. Vamos convocar centenas de produtores de todo o país", garantiu Eduardo Buzzi, presidente da Federação Agrária, entidade de pequenos produtores da qual é membro um dos ruralistas detidos, Alfredo De Angeli.

A operação na estrada do Mercosul ocorreu após a suspensão dos bloqueios, por caminhoneiros de Córdoba (centro) e Santa Fé (centro-oeste), de transporte de alimentos e combustíveis, que começaram a faltar nos últimos dias, depois um acordo na sexta-feira com o governo.

No entanto, em Entre Ríos e na província de Buenos Aires, produtores rurais e donos de caminhões mantiveram os bloqueios e exigiam que o governo retomasse o diálogo em busca de uma solução para a crise.

O conflito acontece desde março quando foi anunciado um plano governamental de tributos flutuantes sobre as vendas externas de soja, principal produto de exportação, cuja atual safra é avaliada em 24 bilhões de dólares, dos quais quase a metade o governo cobra em impostos.

A Argentina é um dos maiores fornecedores de alimentos no mundo, com exportações anuais de 35 bilhões de dólares, mas o conflito deixou o país em situação crítica, no limite de cumprir as vendas externas.

lt/cd/cl/fp

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