Polícia de N.York confirma que morte de investidor francês indica suicídio

Nova York, 23 dez (EFE).- A Polícia de Nova York confirmou hoje que a morte do investidor francês Thierry de la Villehuchet, que perdeu US$ 1,4 bilhão na chamada Fraude Madoff, parece ter sido resultado de suicídio.

EFE |

"Parece que se trata de um suicídio, embora obviamente essa conclusão deverá ser confirmada pelos legistas", assegurou à Agência Efe um porta-voz do Departamento da Polícia de Nova York.

A fonte confirmou que o homem "tinha cortes nos pulsos e braços e foi encontrado com pastilhas a seu redor", como tinham publicado anteriormente alguns meios de comunicação locais.

O corpo do executivo, de 65 anos, foi encontrado por volta das 7h30 locais (10h de Brasília) em seu escritório em Manhattan, de onde dirigia o banco de investimento Access International Advisor, do qual era co-fundador.

Seu corpo já sem vida foi descoberto por seguranças do edifício onde se encontram os escritórios da firma. Os oficiais imediatamente entraram em contato com a Polícia de Nova York.

Os agentes que atenderam à chamada não encontraram nenhuma nota junto ao corpo de Villehuchet para esclarecer o ocorrido.

A fonte policial ouvida pela Efe disse não poder confirmar se o executivo francês tinha chegado a ingerir os tranqüilizantes que foram encontrados.

O diário "The New York Times", que cita como fontes para sua matéria sobre o tema também oficiais da Polícia, detalha que o corpo foi encontrado com uma perna sobre a escrivaninha e uma lixeira colocada perto para "recolher" o sangue que saía dos ferimentos.

O "Times" afirma que o homem ficou no escritório trabalhando na noite anterior e, no local, pediu que houvesse faxina.

Vários jornais locais, entre eles o "The New York Post" e o "Daily News", explicam que a empresa do executivo francês administrava um fundo de investimento que tinha confiado US$ 1,4 bilhão à firma de Bernard Madoff, investidor acusado de desenvolver a maior fraude da história de Wall Street.

Aparentemente, Villehuchet tinha tentado sem sucesso nas últimas semanas recuperar o dinheiro depositado em nome de seus clientes no fundo de investimentos do nova-iorquino Madoff.

Executivos europeus entrevistados pela rede de TV "ABC" descreveram o francês como um homem que inspirava respeito, de grande humanidade, bondoso e generoso.

Villehuchet era uma figura conhecida entre os círculos financeiros europeus que investiam no mercado americano.

Antes de fundar o Access, o investidor respondia pelo Crédit Lyonnais Securities EUA, uma das filiais americanas do conhecido banco francês, e foi responsável na década de 1980 por uma agência especializada nas Bolsas de países como França, Bélgica e Itália.

A Procuradoria Federal, o FBI (polícia federal americana) e a Securities and Exchange Commission (SEC, comissão de valores mobiliários americana) estão investigando a fraude de Madoff.

O investidor, que até sua detenção, em 11 de dezembro, era considerado uma lenda de Wall Street, é acusado de planejar uma fraude com a qual centenas de investidores, especialmente grandes fortunas, mas também organizações beneficentes, empresas e entidades de todo o mundo, poderiam perder todo seu dinheiro.

O jornal também garante que uma das clientes de Madoff processou a SEC por não ter cumprido sua tarefa de descobrir essa fraude, que gerou perdas a ela de US$ 2 milhões.

Phyllis Molchatsky, de 61 anos, pede US$ 1,7 milhão em indenização à SEC, que agora conta com seis meses para negociar um acordo ou responder à demanda, já que, caso contrário, a investidora poderia iniciar um processo em uma corte federal, segundo o jornal.

Madoff se encontra sob prisão domiciliar e vigiado 24 horas. EFE jju/fr

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