Policia de Israel separa judeus de árabes no Dia do Perdão

A polícia de Israel montou um forte esquema de segurança nesta segunda-feira para impedir atritos entre árabes e judeus nas cidades mistas do país durante o principal feriado judaico, o Yom Kipur (Dia do Perdão), inclusive separando as duas comunidades em uma cidade.

BBC Brasil |

No Yom Kipur do ano passado houve confrontos violentos entre cidadãos árabes e judeus na cidade de Aco, no norte de Israel. Daí a decisão da policia israelense de separar os dois grupos.


Soldado israelense patrulha assentamento durante Yom Kipur / EFE

De acordo com a tradição judaica, nesse feriado o país praticamente para.

Veículos - inclusive o transporte público - deixam de circular, a maioria dos judeus israelenses costuma jejuar e até a mídia local interrompe o trabalho.

Nas cidades mistas, onde moram cidadãos judeus e árabes, cria-se uma situação delicada.

No ano passado, a entrada de um carro dirigido por um motorista árabe em um bairro de maioria judaica na cidade de Aco causou um tumulto generalizado, com confrontos violentos que envolveram milhares de pessoas dos dois lados.

Alguns judeus religiosos espancaram o motorista árabe e os rumores rapidamente se espalharam pela cidade, levando a um confronto que deixou dezenas de feridos e causou ampla destruição no centro comercial de Aco.

No feriado deste ano, a polícia anunciou "tolerância zero em relação a qualquer distúrbio da ordem pública". Em Aco, a polícia colocou barreiras para criar uma separação física total entre as duas populações.

Policiais foram posicionados para impedir a entrada de veículos nos bairros de maioria judaica, e judeus que quiserem entrar na Cidade Velha de Aco, onde a maioria é árabe, serão acompanhados por policiais.

Cidadãos árabes que quiserem entrar, a pé, nos bairros de maioria judaica, também serão escoltados por policiais.

Famílias árabes que moram em bairros de maioria judaica concordaram em sair de suas casas por um dia.

De acordo com Jafer Frech, da ONG Mossawa, de defesa dos direitos dos cidadãos árabes, "as famílias árabes concordaram em sair para não ferir os sentimentos do público judaico".

Segundo Frech, "neste ano há uma separação entre as populações e os árabes da cidade entendem que é necessário respeitar esse dia".

A preocupação com possíveis choques entre judeus e árabes no Yom Kipur também levou a polícia a entrar em estado de alerta em todas as outras cidades mistas do país - Jerusalém, Nazaré, Maalot, Yafo, Ramle e Lod.

Além das forças policiais regulares, participam do esquema de segurança soldados da polícia da fronteira. De acordo com a polícia, o objetivo é impedir "atritos étnicos nesse dia sensível".

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