Polícia de Israel prende colono suspeito de incendiar mesquita

Vândalos atearam fogo e picharam mesquita em aldeia árabe beduína no norte do país na madrugada de segunda-feira

iG São Paulo |

As autoridades israelenses anunciaram nesta quinta-feira que prenderam um colono de 18 anos residente de um assentamento na Cisjordânia suspeito de ter incendiado a mesquita da aldeia de Tuba Zangaria , no norte de Israel, na última segunda-feira. O suposto autor do incêndio, cuja identidade não foi divulgada, foi preso poucas horas depois do incidente, no assentamento de Ariel, no norte da Cisjordânia.

Reuters
Morador de vilarejo árabe em Israel observa danos em mesquita incendiada (3/10)

O tribunal da cidade de Kfar Saba decidiu prolongar a prisão do acusado e afirmou que, desde o início da investigação, e em vista das evidências apresentadas pelo serviço de Inteligência, "as suspeitas estão se consolidando".

Os autores do incêndio na mesquita, que fica em uma aldeia árabe na Galileia, deixaram pichações nas paredes do local com os dizerem "vingança" e "etiqueta de preço" - termos utilizados por grupos nacionalistas clandestinos formados por colonos que praticam atos de vandalismo contra palestinos na Cisjordânia - e "Palmer".

Asher Palmer, um colono israelense do assentamento de Kiriat Arba, próximo à cidade de Hebron, na Cisjordânia, morreu junto com seu filho, um bebê de um ano, no dia 23 de setembro, quando seu carro capotou em um incidente que inicialmente tinha sido considerado um acidente de trânsito.

Dias depois o Exército israelense anunciou que tratava-se de um atentado pois uma pedra teria sido lançada contra o veículo e atingido o motorista, que perdeu o controle do veículo.

Esses grupos de colonos israelenses já incendiaram várias mesquitas na Cisjordânia. Mas o incêndio na aldeia de Tuba Zangaria foi o primeiro ato desse tipo cometido em território israelense e contra cidadãos árabes de Israel. O incêndio despertou uma série de protestos e inflamou as tensões na região.

'Extremistas'

O ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, disse à rádio estatal Kol Israel que esses grupos são compostos por "extremistas que atuam de maneira semelhante a pequenos exércitos, com métodos sofisticados". De acordo com Barak, "não é fácil" capturar os integrantes desses grupos clandestinos.

O ex-oficial do serviço de Inteligência interna, o Shin Bet, Menahem Landau qualificou os grupos clandestinos de colonos como "grupos terroristas". Em entrevista à Kol Israel no início da semana, Landau disse que "não há diferença alguma entre os terroristas palestinos e esses terroristas judeus". "Ambos utilizam métodos violentos para aterrorizar, visando alcançar seus objetivos por meio do medo."

Segundo Landau, colonos radicais se organizam em pequenos grupos fechados, "compostos por jovens que cresceram juntos e têm total confiança um no outro", e que desconhecem a identidade dos integrantes dos demais grupos. "É muito difícil infiltrar agentes da Inteligência nesses grupos", afirmou, acrescentando que os integrantes pertencem à segunda e à terceira geração de colonos israelenses.

Atentados

De acordo com o jornal Haaretz, oficiais do serviço de inteligência alertaram para a escalada da violência de colonos contra civis palestinos e também contra autoridades israelenses que atuam na Cisjordânia. Segundo o analista militar do Haaretz, Amos Harel, oficiais do Shin Bet advertiram o governo que os atos desses grupos clandestinos podem levar a episódios "graves" de violência, tanto contra palestinos como contra soldados israelenses nos territórios ocupados.

Com BBC

    Leia tudo sobre: israelmesquitacolôniacisjordânia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG