Polícia de Israel invade mesquita de Jerusalém após protestos

Tensão aumentou depois de guarda israelense ter matado palestino em Jerusalém Oriental, o que gerou confronto com policiais

Reuters |

A polícia antidistúrbios de Israel entrou nesta quarta-feira no complexo da Mesquita de Al-Aqsa, na Cidade Velha de Jerusalém, para remover do local palestinos que atiravam pedras contra o Muro das Lamentações, local de orações do judaísmo.

De acordo com a polícia, os palestinos se refugiaram na mesquita, terceiro local mais sagrado do islamismo. De acordo com a rede de TV CNN, 50 palestinos foram feridos por balas de borracha, disparadas pelos policiais israelenses. Desses, 15 foram levados para hospitais próximos.

AFP
Policiais israelenses detêm palestino do lado de fora da mesquita de Al-Aqsa, na parte velha de Jerusalém
A tensão na cidade aumentou depois que um guarda israelense matou nesta quarta-feira o palestino Samer Sarhan, de 32 anos, em um local conflituoso de um bairro de Jerusalém Oriental - a parte árabe da cidade -, desencadeando confrontos de rua e acusações, por parte de palestinos, de que Israel está minando as negociações de paz patrocinadas pelos Estados Unidos.

Segundo a polícia israelense, o guarda disse ter aberto fogo contra dezenas de palestinos que bloqueavam e apedrejam seu carro, antes da madrugada em Silwan, um bairro árabe onde fica um pequeno enclave de colonos judeus. Dois outros palestinos ficaram feridos pelos disparos, disseram moradores, acrescentando que o guarda trabalha como segurança dos colonos.

Protestos

Moradores de Silwan saíram às ruas depois do incidente, revirando carros e atirando pedras na polícia e em pedestres.

AP Photo/Bernat Armangue
Dois judeus ultra-ortodoxos dentro de ônibus se protegem de pedras lançadas por manifestantes palestinos em Jerusalém
A polícia afirmou ter respondido com gás lacrimogêneo, jatos de água e granadas de efeito moral. Segundo a Associated Press, 10 israelenses ficaram feridos nos distúrbios.

Centenas de pessoas compareceram ao funeral do palestino morto, que tinha cinco filhos.

Confrontos esporádicos se espalharam pela Cidade Velha de Jerusalém, onde fica a Mesquita de Al-Aqsa, o terceiro lugar mais sagrado do islamismo, e o Muro das Lamentações, o local de orações mais reverenciado do judaísmo.

"Essa violenta escalada das forças de ocupação israelenses representa medidas destrutivas que destroem a programação de construção da paz", disse o porta-voz do governo palestino, Ghassan Khatib, acusando a polícia de impedir ambulâncias de chegarem a Silwan para atender os moradores feridos. "As ações ilegais de permanente inserção de colonos fortemente armados no coração dos bairros palestinos resultam em provocações diárias e em violência contra palestinos desarmados e desprotegidos, além de abrirem caminho para que tais crimes prossigam", acrescentou.

Histórico

Israel tomou da Jordânia a parte oriental de Jerusalém, bem como a Cisjordânia, durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e considera toda a Jerusalém sua capital - status não reconhecido internacionalmente. Os palestinos, no entanto, reivindicam Jerusalém Oriental como capital do Estado que pretendem criar.

*Com Reuters

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