Por Ori Lewis e Rebecca Harrison JERUSALÉM, Israel (Reuters) - A polícia israelense acusou na sexta-feira o primeiro-ministro Ehud Olmert de fraude e disse que a investigação sobre um suposto recebimento de propina havia sido ampliada para verificar se o dirigente cobrou mais de uma vez pelas mesmas despesas de viagem.

A polícia e promotores disseram ter pedido que o dirigente de Israel, em um interrogatório realizado na sexta-feira, 'fornecesse sua versão dos fatos para a suspeita da prática de fraudes graves e de outros crimes' envolvendo a acusação de o premiê ter recebido dinheiro de diferentes entidades do governo israelense para realizar as mesmas viagens ao exterior.

O interrogatório de sexta-feira é o terceiro a que se sujeita Olmert em meio à investigação sobre as acusações de que aceitou suborno do empresário norte-americano Morris Talansky.

O premiê afirmou não ter feito nada de errado em suas transações com Morris, um judeu de Nova York responsável por arrecadar fundos de campanha para Olmert. Mas o dirigente prometeu renunciar caso seja indiciado formalmente.

A investigação, se levar Olmert à renúncia, pode prejudicar as negociações de paz patrocinadas pelos EUA e realizadas entre Israel e os palestinos.

'Segundo as suspeitas, durante seus mandatos de prefeito de Jerusalém e de ministro da Indústria e do Comércio, Olmert levantaria dinheiro em dobro para suas viagens ao exterior junto a órgãos públicos, incluindo o governo federal, cada um dos quais era instado a custear a mesma viagem', afirmaram em um comunicado a polícia e promotores.

A polícia suspeita que a agência de viagens de Olmert emitiu várias faturas para viagens e depois transferiu o dinheiro excedente para uma conta bancária no nome dele. O dinheiro era usado para as viagens particulares de Olmert, afirmou o comunicado.

Mark Regev, porta-voz do premiê, repetiu a afirmação de que o dirigente estava 'convencido de sua inocência', algo que se tornaria evidente com o andamento das investigações, afirmou.

Olmert comandou a Prefeitura de Jerusalém durante dez anos, até 2003. Depois, trabalhou como ministro antes de suceder Ariel Sharon no cargo de premiê, no começo de 2006.

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