Polícia da Noruega interroga autor de massacre pela segunda vez

Objetivo foi repassar informações do primeiro depoimento, no sábado; não há detalhes do que Breivik disse nesta sexta-feira

iG São Paulo |

O fundamentalista cristão e anti-islâmico Anders Behring Breivik , autor confesso do ataque duplo de 22 de julho, foi questionado nesta sexta-feira pela segunda vez desde que se rendeu para um esquadrão antiterror na Ilha de Utoya, onde deixou 68 mortos. Antes, ele é acusado de ter colocado o carro-bomba que explodiu em frente da sede do governo da Noruega no centro da capital, Oslo, deixando oito mortos. ( Cronologia mostra erros da polícia enquanto extremista executava ataque )

AP
O fundamentalista cristão Anders Behring Breivik, parcialmente visível atrás, no centro, é visto em veículo para prestar depoimento à polícia em Oslo
O promotor policial Paal-Fredrik Hjort Kraby disse que o norueguês de 32 anos permaneceu calmo e cooperativo durante todo o interrogatório, no qual os investigadores repassaram as declarações que deu em uma sessão prévia, no sábado. Os investigadores acreditam que Breivik atuou sozinho , depois de anos de planos meticulosos, e não encontraram nada para comprovar suas alegações de que faz parte de um rede militante antimuçulmana que planejava uma série de ações na Europa.

Segundo Kraby, dois psiquiatras noruegueses examinarão o terrorista para determinar se ele é penalmente responsável por seus atos. Os dois especialistas terão de apresentar um relatório antes de 1º de novembro. Na terça-feira, seu advogado Geir Lippestad disse que ele provavelmente é insano, ameaçando deixar sua defesa se ele se recusasse a ser examinado .

A polícia também disse que identificou todas as vítimas do massacre. Apesar de ter confessado ser autor de ambos ataques, Breivik rejeitou declarar-se culpado por acreditar que está em um estado de guerra , disseram seu advogado e a polícia.

Breivik foi acusado de atos de terrorismo, que podem acarretar uma sentença máxima de 21 anos. Entretanto, é possível que a acusação mude durante a investigação para crimes contra a humanidade , que pode levar a uma condenação de 30 anos de prisão, disse o principal promotor do país, Tor-Aksel Busch. Os promotores também podem tentar um tipo de sentença especial que possibilitaria à corte mantê-lo preso indefinidamente. Um indiciamento formal não é esperado até o próximo ano, disse Busch.

Em declarações ao jornal Aftenposten, seu advogado disse que Breivik tinha planos de lançar ataques com bombas em outros dois edifícios da Noruega. Afirmando que não poderia dar detalhes, Lippestad disse: "Aconteceram coisas nesse dia que não quero abordar que fizeram com que os fatos transcorressem de forma diferente do que ele havia previsto."

Enterros das vítimas

Os primeiros funerais para as vítimas começaram a ser realizados nesta sexta-feira, uma semana depois do massacre. Em cerimônia celebrada para seus partidários do Partido Trabalhista, o primeiro-ministro Jens Stoltenberg reiterou nesta sexta-feira que o ataque duplo teve como alvo a democracia, afirmando que seu país responderá com "amor" e "compaixão" à tragédia nacional.

"Responderemos ao ódio com amor", afirmou: "Vamos demonstrar que nosso movimento (social-democrata) é capaz de responder com compaixão". Stoltenberg abriu a cerimônia com um minuto de silêncio, depois do qual caracterizou as vítimas do ataque em Utoya de "heróis".

O discurso de Stoltenberg é o primeiro dessa jornada de homenagens na Noruega, uma semana após o duplo atentado realizado por Anders Behring Breivik, que voltou a ser interrogado nesta sexta-feira pela Polícia.

Nesta sexta-feira, o centro de Oslo voltou a ficar coberto de flores, com a catedral da capital norueguesa como epicentro dos atos de homenagens às vítimas, apesar de também terem sido registrados memoriais em diversos pontos da cidade.

"Não perdi nenhum ente querido nos atentados. Mas a dor é de todos nós, noruegueses e pessoas que passam pela cidade", disse uma funcionária do Ministério de Energia que colocava uma rosa em um sinal de trânsito. Na cesta de sua bicicleta, a funcionária levava três ramos de flores que pretende depositar em outros diversos pontos da cidade.

Uma semana depois da explosão, ela ainda não voltou a trabalhar no ministério, que foi um dos prédios mais atingidos pela detonação do carro-bomba.

"Utoya era nossa ilha e continuará sendo. Esperamos voltar para lá no próximo verão", afirmou Rolf, um social-democrata de 16 anos, em referência à ilha que foi o segundo alvo do terrorista. Ao lado de outro jovem, ele aguardava em uma fila para entrar na Catedral de Oslo, onde deixará uma mensagem escrita perto de uma vela em homenagem às vítimas dos atentados.

Como eles, dezenas de jovens ligados ao Partido Trabalhista passeiam pelas imediações da catedral e o distrito governamental, que nesta sexta-feira acolherão diversas manifestações institucionais e cidadãs.

"Somos luteranos. Expressamos hoje nossa dor com flores, como fizemos após os atentados. Refletimos, rezamos e seguimos nossas vidas. Todas essas flores são nossas mensagens de lembrança e de esperança", disse na porta da catedral um pastor de Trondheim.

*AP, EFE e AFP

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