Polícia da Noruega esvazia área perto de local da explosão em Oslo

Medida é tomada para busca de possível bomba, que não é encontrada; polícia confirma que ataque em Oslo foi feito com carro-bomba

iG São Paulo |

A polícia da Noruega está esvaziando uma área perto do local da explosão que deixou ao menos sete mortos na sexta-feira na capital do país, Oslo. O ataque, lançado contra prédios do governo no centro da cidade, ocorreu antes de um atirador atacar um acampamento juvenil em uma ilha localizada a 40 quilômetros de Oslo. O atentado duplo deixou mais de 90 mortos, mas o número deve subir, porque a polícia afirma ainda haver corpos não recuperados em prédios de Oslo e até cinco desaparecidos no ataque na Ilha de Utoya.

A medida foi tomada para que fosse realizada uma busca perto do local, depois de uma dica de que haveria mais uma bomba na área. As equipes, porém, não encontraram nada. Em uma coletiva, a polícia também confirmou que a explosão de sexta-feira na capital norueguesa foi causada por um carro-bomba. Segundo as fontes, os prédios no centro de Oslo estão muito frágeis, sendo muito perigoso fazer buscas no local.

Na coletiva, a polícia também confirmou a informação de que conduz a investigação para saber se havia mais de um atirador no ataque lançado na ilha, que durou 90 minutos .

De acordo com as fontes policiais, a possibilidade de que houve mais de um agressor foi levantada a partir dos relatos de testemunhas. "Não temos nenhuma certeza de que era apenas um atirador. Estamos investigando alegações de testemunhas de que havia um segundo", disse o chefe de polícia Sveinung Sponheim.

"É muito difícil saber se o atirador atuou sozinho ou se fazia parte de uma rede", disse, acrescentando que o suspeito preso na ilha admitiu ter disparado contra as pessoas no local. O principal suspeito "confessou que esteve em Utoya, teve acesso a armas e fez disparos", afirmou Sponheim.

Os ataques de sexta-feira são os piores lançados na Noruega desde a Segunda Guerra Mundial . Os atentados também são a maior matança na Europa desde os de 11 de março de 2004 em Madri, que deixaram 191 mortos.

Neste sábado, o Exército e a polícia da Noruega reforçaram a segurança em torno dos prédios e instituições potencialmente ameaçados. Além disso, durante encontro em Sundvoldend do primeiro-ministro norueguês, Jens Stolenberg, com vítimas e parentes do ataque na Ilha de Utoya, um homem de cerca de 20 anos foi detido em frente do hotel onde ocorria o evento.

"A zona da sede do governo permanecerá isolada até nova ordem. A polícia e o Exército protegerão os prédios e as instituições sob potencial ameaça", informou a polícia de Oslo.

A ação mais sangrenta de sexta-feira ocorreu na Ilha de Utoya, onde o atirador deixou ao menos mais de 80 mortos, a maioria jovens, em uma colônia de férias do Partido Trabalhista. Segundo a imprensa local, o atirador é um homem de 32 anos, de nacionalidade norueguesa, ligado a movimentos de extrema direita .

Testemunhas do ataque na ilha de Utoya revelaram que o homem - com traços nórdicos e que falava norueguês - disparou contra as vítimas com um fuzil automático.

Adrian Pracon, jovem de 21 anos que sobreviveu ao massacre, disse ter escapado por ter fingido estar morto, agarrando-se a outros corpos a seu redor. Segundo Pracon, o atirador era muito seguro, calmo e controlado e usava um uniforme negro, com detalhes em vermelho.

"Eu e outros nos deitamos e sobrevivemos por causa dos corpos aos quais pudemos nos segurar e por fingir estar mortos", disse Pracon à rede de TV CNN por telefone de um quarto de hospital. " Pude sentir sua respiração ", contou. "Pude ouvir suas botas."

Pracon disse estar deitado na costa quando o atirador abriu fogo. "Estava a cerca de cinco metros, talvez sete, dele, enquanto gritava que ia matar todos e que todos devemos morrer. Ele apontou sua arma para mim, mas não apertou o gatilho", afirmou.

O rei Harald da Noruega, a rainha Sonja e seu filho, o príncipe herdeiro Haakon, visitaram neste sábado os sobreviventes do tiroteio. O chefe de governo e alguns ministros acompanharam a família real.

"Estou muito impressionado com o que aconteceu", lamentou Stoltenberg diante das câmeras de televisão. "A Noruega está de luto ao lado dos familiares das vítimas", acrescentou. Stoltenberg disse ainda que se emocionou ao conversar com um adolescente que salvou um ferido se jogando em um lago com ele e nadando, carregando o amigo, até a costa, fugindo dos tiros.

*Com EFE, BBC e AFP

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