(acrescenta libertação de detidos) Dublin, 25 mar (EFE).- A Polícia norte-irlandesa (PSNI) colocou hoje em liberdade seis pessoas que ficaram detidas por mais de duas semanas por suposto envolvimento no assassinato de dois soldados e um policial na província, confirmaram fontes oficiais.

A decisão foi tomada uma hora depois que o Alto Tribunal da Irlanda do Norte ordenou que os suspeitos deveriam ser soltos imediatamente se a PSNI não apresentasse acusações contra eles.

No entanto, logo após deixar as dependências policiais, um dos supostos terroristas voltou a ser detido em aplicação da legislação antiterrorista, segundo informou seu advogado, Pat Vernon.

O detido é o norte-irlandês Colin Duffy, de 41 anos, ex-membro do Exército Republicano Irlandês (IRA), conhecido militante republicano e agora supostamente vinculado ao IRA Autêntico, o grupo dissidente responsável pela, em 7 de março, dos dois soldados na base militar de Massereene, ao norte de Belfast.

Na década de 1990, Duffy foi acusado do assassinato de um soldado e de dois policiais, mas nunca chegou a ser processado.

A decisão judicial coloca fim a mais de duas semanas de interrogatórios e poderia abrir um precedente para a revisão da legislação antiterrorista do Reino Unido, que permite a detenção de suspeitos por um máximo de 28 dias se forem obtidas sucessivas permissões judiciais.

Dos seis detidos, quatro permaneciam sob custódia por suspeita de envolvimento no assassinato, em 7 de março, de dois soldados britânicos em uma base militar do condado de Antrim, uma ação atribuída ao IRA Autêntico, dissidência do inativo Exército Republicano Irlandês (IRA).

Os outros dois suspeitos são vinculados ao IRA de Continuidade, outra cisão republicana que assumiu a autoria da morte, dois dias depois, do policial Stephen Carroll na localidade de Craigavon, no condado fronteiriço de Armagh.

No fim de semana passado, os advogados dos seis apresentaram um requerimento perante a Justiça norte-irlandesa em protesto contra a extensão do período de detenção deles, uma medida solicitada pela PSNI para continuar os interrogatórios e ganhar tempo enquanto era feita a perícia nos locais dos crimes.

O juiz instrutor, Brian Kerr, desautorizou hoje as permissões correspondentes ao ressaltar que o tribunal que as emitiu não levou em conta se as detenções dos supostos terroristas foram legais.

Kerr não questionou a legalidade das detenções, mas ressaltou que o magistrado que concedeu as extensões de tempo deveria ter examinado o assunto. EFE ja/db

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.