Juan Palop. Jacarta, 17 set (EFE).- O terrorista mais procurado do Sudeste Asiático e apontado como o cérebro da maior parte dos atentados cometidos na região, Noordin Mohammed Top, foi morto hoje pela Polícia, com outras três pessoas, durante uma operação na ilha de Java.

Bambang Hendarso Danuri, chefe das forças de segurança, divulgou o êxito da ação após a confirmação das impressões digitais e de comunicar o presidente do país, Susilo Bambang Yudhoyono, que a ação atingiu o principal alvo.

"É Noordin Mohammed Top, o líder de Al-Qeada no Sudeste Asiático", afirmou o chefe da Polícia durante a entrevista coletiva exibida na televisão para informar aos indonésios sobre a vitória contra o terrorista.

"Isto é uma bênção para a nação Indonésia no mês do Ramadã (o mês do jejum muçulmano)", disse o diretor-geral da Polícia sobre a morte do homem apontado como o responsável pelo duplo atentado terrorista realizado em julho contra dois hotéis de luxo de Jacarta, onde nove pessoas.

Bambang detalhou que as impressões digitais das duas mãos dos criminosos coincidiam em 14 pontos com as que a Polícia possuía do terrorista, que há nove anos era procurado.

Além de Noordin, outros três supostos terroristas morreram e mais três foram presos na operação antiterrorista, o terceiro golpe policial à organização extremista, desde agosto.

Entre os mortos estão Bagus Budi Pranoto, conhecido como Urwah, 31 anos, um dos mais procurados pela Polícia da Indonésia e um especialista na fabricação de bombas, assim como o militante islamita Aji, chamado Reno.

O quarto morto foi identificado como Susilo Adib, 24 anos, um jovem professor sem antecedentes policiais que dava aulas na escola corânica Al-Kahf Mojosongo, situada nas proximidades do esconderijo dos terroristas. Mojosongo estava morando na casa há cinco meses.

Entre os presos, está Putri Munawaroh, mulher de Susilo Adib, que está grávida e foi transferida a um hospital com ferimentos graves, assim como outros dois supostos terroristas cuja identidade ainda não foi divulgada.

Os especialistas consideram que a organização liderada por Noordin tenha sido desarticulada com a sua morte, embora ainda persista a capacidade operacional.

Na casa, situada nos arredores de Só, foram apreendidas oito sacolas com 200 quilos de explosivos, um fuzil M-16 e uma granada de mão.

Com duração de sete horas, a operação iniciou a 0h quando os policiais de uma unidade antiterrorista cercaram a casa onde se escondia o grupo Noordin.

A casa fica no bairro de Kertosari, uma localidade definida como foco de resistência do fundamentalismo islâmico na Indonésia, onde estão as sedes de várias seitas religiosas radicais.

Mesmo com a moradia cercada, os criminosos não se entregaram.

Houve um intenso tiroteio, seguido de pelo menos duas explosões, uma delas de grande intensidade.

A Polícia descartou que uma das explosões tenha sido causada por um dos terroristas em uma tentativa de suicídio, apesar de um dos corpos encontrados no interior da moradia estava muito desfigurado.

Esta última operação tem semelhanças com a realizada em agosto, também na região central de Java, que resultou na morte de um islamita.

A Polícia chegou a acreditar que se tratava de Noordin Mohammed Top, mas exames de DNA confirmaram que o corpo era de Ibrahim ou Ibrohim, outro islamita foragido.

Noordin liderava há quatro anos uma facção radical dissolvida da Jemaah Islamiya (YI), uma organização fundamentalista qualificada pelos especialistas como o braço da Al-Qaeda no Sudeste Asiático.

Desde 2000, o terrorismo islâmico cometeu cerca de dez ataques na Indonésia - o maior país muçulmano - e causou a morte de mais de 250 pessoas. EFE jpm/dm

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