Polícia cubana arrasta mulheres durante protesto contra governo

Por Esteban Israel HAVANA (Reuters) - A polícia cubana puxou pelos cabelos membros do grupo de oposição Damas de Branco, arrastou-as para dentro de um ônibus e as levou embora para impedir uma manifestação de protesto nesta quarta-feira.

Reuters |

As roupas brancas que as mulheres tradicionalmente vestem ficaram enlameadas porque elas resistiram à ação das policiais que as forçavam a entrar no ônibus.

As manifestantes antigovernamentais gritaram slogans pelo segundo dia seguido. Foi a terceira passeata desta semana realizada pelas Damas de Branco, que estão protestando contra a prisão de maridos e filhos em 2003, dos quais a maioria ainda está encarcerada.

O sétimo aniversário da repressão, conhecida como a "Primavera Negra" será na quinta-feira, quando as mulheres dizem que farão nova marcha. Nesta quarta-feira, elas foram a uma missa no bairro operário de Parraga e depois começaram a andar em direção à casa do dissidente Orlando Fundora, que iniciou uma greve de fome na semana passada.

Enquanto as cerca de 30 mulheres caminhavam carregando flores, aproximadamente 200 partidários do governo seguiam junto delas, separados por agentes de segurança.

"Vermes, saiam daqui. Viva Fidel! Viva Raul!", gritavam os partidários do ex-presidente Fidel Castro e do atual presidente, Raúl Castro, os únicos líderes que Cuba teve desde a revolução comunista de 1959.

Por sua vez, as mulheres gritavam "Liberdade" e "Zapata vive".

Orlando Zapata Tamayo, um dissidente que estava preso morreu em 23 de fevereiro depois de uma greve de fome de 85 dias e se tornou ponto de referência para protestos da oposição cubana. Sua mãe, Reyna Tamayo, participou da passeata.

À medida que a marcha antigovernamental aumentava, agentes de segurança várias vezes se ofereceram para levar as mulheres dali em um ônibus, mas a líder Laura Pollan recusou.

Por fim, eles forçaram as mulheres a entrar no ônibus, puxando algumas pelos cabelos e outras, pelos braços e pernas, já que gritavam, protestando. Elas foram levadas para a casa de Pollan, no centro de Havana.

"Elas estão invadindo território cubano. Esta rua pertence a Fidel", disse a dona de casa Odalys Puente, referindo-se às mulheres. Berta Soler, integrante do Damas de Branco, afirmou: "Quando um animal selvagem é confinado, faz isso e muito mais. Estamos prontas para tudo. Não temos medo".

Cuba vem sendo condenada internacionalmente pela morte de Zapata e o tratamento de outro grevista, Guillermo Farinas, que está num hospital recebendo fluidos intravenosos desde que desmaiou na quinta-feira.

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