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Polícia chinesa teria matado oito pessoas, segundo The Times

Londres, 4 abr (EFE) - A Polícia paramilitar chinesa matou oito pessoas após atirar contra centenas de monges tibetanos e civis, informa hoje o jornal britânico The Times em sua edição digital.

EFE |

Segundo o periódico, que cita como fonte testemunhas, os distúrbios, que deixaram vários feridos, começaram na noite de quinta-feira, quando as autoridades invadiram um mosteiro da província chinesa de Sichuan (sudoeste do país).

Os inspetores do Governo entraram no edifício, que data do século XV e se encontra na localidade de Ganzi (Sudoeste de Sichuan), com o objetivo de apreender imagens do dalai lama, líder espiritual do Tibete.

De acordo com fontes consultadas pelo jornal, os funcionários revistaram todos os quartos dos monges e confiscaram também seus telefones celulares.

Quando os inspetores rasgaram as fotografias do dalai lama e as atiraram no chão, um monge de 74 anos, identificado como Cicheng Danzeng, tentou deter um ato considerado pelos tibetanos como uma profanação.

Um funcionário do mosteiro, identificado como Cicheng Pingcuo, de 25 anos, ajudou-o e ambos acabaram sendo detidos.

Depois, os representantes das autoridades exigiram que os monges criticassem o líder espiritual e a resistência de um dos religiosos, que expressou sua reticência em voz alta, fez com que seus colegas se rebelassem.

Em seguida, os monges foram para um rio próximo do local, onde a Polícia paramilitar tinha acampado, e exigiram que os dois homens fossem soltos.

Nesta hora, centenas de cidadãos, irritados com a detenção de Cicheng Danzeng, um monge muito respeitado na região, se uniram à manifestação ao grito de "Longa vida ao dalai lama", "Deixem o dalai lama voltar" e "Queremos liberdade".

Segundo testemunhas citadas pelo "Times", até mil agentes da Polícia paramilitar usaram da força para sufocar o protesto e abriram fogo contra a multidão.

Na confusão, oito pessoas morreram, afirmou ao jornal um morador local que tem contato direto com o mosteiro.

Entre os mortos se encontra um monge de 27 anos identificado como Cangdan e pelo menos duas mulheres que respondem pelos nomes de Zhulongcuo e Danluo, respectivamente.

Outras dez pessoas continuavam desaparecidas hoje, quando a Polícia paramilitar patrulhou as ruas da localidade, cercou o mosteiro e cortou todas as suas comunicações.

A região foi palco de duros confrontos entre manifestantes tibetanos e agentes antidistúrbios nas últimas semanas.

A atual revolta começou em Lhasa (capital tibetana) em 14 de março, depois das manifestações pacíficas iniciadas pelos monges budistas no dia 10 para comemorar o 49º aniversário da insurreição tibetana de 1959 contra os comunistas chineses.

Enquanto o Governo de Pequim estima em 19 os mortos na revolta, os simpatizantes do dalai lama calculam que cerca de 140 pessoas morreram.

A insurreição de 1959 foi esmagada pelo Exército chinês e deixou mais de dez mil mortos e 130 mil deslocados, entre eles o dalai lama, que desde então vive exilado na Índia. EFE pa/db

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