Polícia chinesa mata dois membros de minoria étnica em Xinjiang

Por David Gray URUMQI, China (Reuters) - A polícia chinesa atirou e matou duas pessoas nesta segunda-feira em um conflito na região de Xinjiang, noroeste do país, informou a mídia estatal, após ao menos 184 pessoas terem sido assassinadas na semana passada.

Reuters |

A agência oficial de notícias Xinhua disse que as duas pessoas que foram mortas na região de Urumqi eram uigures. A polícia tentou impedi-los de atacar outro uigur quando forças da segurança abriram fogo, informou a agência. Outro uigur ficou ferido.

"Uma investigação inicial descobriu que estas três pessoas estavam atacando uma quarta pessoa com cassetetes e facas às 14h55 próximo ao Hospital de Jiefang Nanlu", informou Xinhua. "A polícia em patrulha deu tiros de alerta antes de atirar nos três suspeitos."

Do total oficial de mortos dos conflitos de 5 de julho, 137 eram chineses han, que são a maioria da população de 1,3 bilhão da China, e 46 eram uigures, muçulmanos nativos de Xinjiang e culturalmente ligados à Ásia Central.

Uigures atacaram chineses han em Urumqi um dia após a polícia ter tentado impedir um protesto contra ataques em uma fábrica de trabalhadores uigures no sul da China. Chineses han em Urumqi lançaram um contra-ataque na semana passada.

Zhou Youngkang, a principal autoridade de segurança da China, disse que por enquanto a situação está melhorando.

"Atualmente, ainda existem vários fatores de instabilidade, e a tarefa de manter a estabilidade é árdua", disse ele em Urumqi.

"A importância e urgência em assegurar a ordem social em Xinjiang deve ser inteiramente aprendida, e a luta contra o separatismo e o terrorismo na região é uma tarefa intensa a longo prazo."

A mídia estatal informou mais cedo que as manifestações contra os consulados chineses na Europa e nos Estados Unidos mostraram que os conflitos étnicos são orquestrados.

Manifestantes jogaram ovos, coquetéis Molotov e pedras em várias embaixadas e consulados chineses, incluindo em Ancara, Oslo, Munique e na Holanda, informou a agência de notícia Xinhua.

"Partidários dos separatistas do Turcomenistão do Leste começaram ataques bem orquestrados e muitas vezes violentos nas embaixadas chinesas e consulados em vários países logo após a ocorrência dos conflitos", disse Xinhua, referindo-se ao nome dado a sua terra por alguns uigures.

"Os ataques contra as missões diplomáticas da China e os conflitos de Urumqi pareciam ser bem organizados."

Enquanto forças de segurança ainda protegem Urumqi, mais e mais lojas estão reabrindo.

"Em geral, as coisas estão lentamente voltando ao normal. Eu penso que a situação está melhorando e está sob controle", disse um morador han. Mas alguns moradores uigures continuam cautelosos.

Um segurança uigur, que não quis se identificar, disse que por enquanto ele não apoia a violência, ele entende a frustração do povo.

"Olhe a sua volta -- 90 por cento de todas as lojas são de propriedade de han", ele disse, parado em frente a um lugar cheio de lojas em Urumqi.

"Tudo o que eu posso fazer é ter um trabalho como segurança", queixou-se o segurança, que tem graduação universitária. "Os han aqui não conseguem nem mesmo falar uigur".

(Reportagem adicional de Tyra Dempster, Lucy Hornby e Ben Blanchard em Pequim)

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