Polícia chinesa abriu fogo durante distúrbios numa região tibetana

A Polícia chinesa abriu fogo durante os distúrbios em uma região de população tibetana no sudoeste de China, informou nesta sexta-feira a agência de notícias oficial Nova China, enquanto que uma organização pró-tibetana assegurou que oito pessoas morreram alvejadas.

AFP |

Um funcionário local ficou gravemente ferido durante os tumultos ocorridos na quinta-feira à noite no condado de Garze, na província de Sichuan, informou a Nova China.

"A Polícia foi obrigada a dar disparos de advertência para conter a violência", disse um funcionário do governo local citado pela agência.

"Funcionários locais tentaram conter os distúrbios e exigiram que os baderneiros respeitassem a lei", acrescentou o funcionário.

A Nova China não forneceu maiores detalhes a respeito dos distúrbios em uma nota bastante sucinta.

A organização Campanha por um Tibete Livre, com sede em Londres, assegurou, citando fontes na região, que a Polícia abriu fogo quando 370 monges do monastério de Tongkhor e outras 400 pessoas realizavam uma manifestação.

Oito tibetanos morreram em conseqüência dos disparos efetuados pela Polícia, de acordo com o porta-voz da organização, Matt Whitticase, que afirmou que dispõe de informações de apenas uma fonte, mas que revelou a identidade de sete dos oito supostos manifestantes mortos.

Whitticase assegurou que o motivo do protesto era a detenção de dois monges na terça-feira passada acusados de portar fotografias do líder espiritual tibetano no exílio, o Dalai Lama.

Os protestos dos tibetanos contra a China começaram no dia 10 de março na capital do Tibete, Lhasa, e se estenderam para outras regiões na fronteira com áreas de grandes comunidades budistas.

Até o momento, a China reconhece oficialmente a morte de 18 civis "inocentes", enquanto o governo tibetano no exílio indica entre 135 e 140 tibetanos mortos pela repressão policial.

A China considerou nesta sexta-feira que o pedido de um emissário do Dalai Lama para que manifestantes impedissem a passagem da chama olímpica pelo Tibete deixava evidente a intenção da "camarilha" do líder espiritual tibetano de "sabotar" os Jogos Olímpicos de Pequim.

"A chama olímpica é o maior símbolo do espírito olímpico. Representa a paz, a amizade e o progresso", declarou Zhu Jing, porta-voz do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008 (Bocog).

"O fato de a 'camarilha do Dalai' pedir a anulação do revezamento da tocha (no Tibete) mostra a vontade de sabotar os Jogos Olímpicos de Pequim", afirmou à AFP.

No Congresso norte-americano, o emissário especial do Dalai Lama, Lodi Gyari, exortou na quinta-feira a China a cancelar a passagem da tocha olímpica pelo Tibete, por ser um projeto "intencionalmente provocador e insultante" após a repressão às manifestações contra o domínio chinês realizadas no mês de março em Lhasa, capital tibetana.

A passagem da tocha olímpica pelo Tibete está prevista para maio e junho.

bur-kma/dm

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